O Porto de Santos deve alcançar em 2026 a marca histórica de 100 milhões de TEU movimentados desde o início das operações com contêineres. TEU é a unidade internacional equivalente a um contêiner de 20 pés, utilizada para medir a capacidade e o volume de cargas movimentadas pelos portos. O marco simboliza uma mudança estrutural na logística brasileira e na forma como o país participa do comércio internacional.
A projeção da Autoridade Portuária de Santos (APS) ocorre após anos de crescimento contínuo da movimentação de contêineres. Depois de registrar 5,9 milhões de TEU em 2025, o porto deverá superar 6 milhões de TEU neste ano, consolidando sua posição como principal hub logístico do Brasil.
Mais do que um recorde operacional, o número mostra como a modernização portuária ampliou a competitividade das exportações e importações brasileiras. A expansão da infraestrutura e dos terminais reduziu gargalos, aumentou a eficiência logística e acompanhou o avanço do comércio exterior nas últimas décadas.
O protagonismo de Santos ajuda a explicar esse desempenho. O complexo responde por cerca de 30% da corrente comercial brasileira e concentra boa parte das cargas conteinerizadas que abastecem a indústria nacional e seguem para mercados como China, Europa e Estados Unidos.
O que significa atingir 100 milhões de TEU
A marca representa o resultado de um processo iniciado na década de 1970, quando os contêineres começaram a substituir modelos tradicionais de transporte de cargas. A inauguração do Tecon Santos, em 1981, consolidou a liderança do porto nesse segmento.
Até o início dos anos 2000, o Porto de Santos movimentava até 1 milhão de TEU por ano. A ampliação da infraestrutura, os investimentos privados e a modernização operacional aceleraram esse crescimento nas duas décadas seguintes.
Hoje, o complexo reúne alguns dos maiores operadores do país, entre eles:
- Brasil Terminal Portuário (BTP);
- Ecoporto Santos;
- DP World Santos;
- Tecon Santos, pioneiro na operação de contêineres.
Como resultado, a movimentação chegou a 5,9 milhões de TEU em 2025, avanço de 7,7% em relação ao ano anterior, segundo a APS.
Por que o Porto de Santos lidera a movimentação de contêineres
O crescimento dos contêineres acompanha uma mudança no perfil da economia brasileira. Mercadorias industrializadas, alimentos processados, produtos químicos, equipamentos e bens de maior valor agregado passaram a depender cada vez mais desse modelo de transporte.
Além de proteger melhor as cargas, a conteinerização reduz o tempo de operação, facilita a integração entre caminhões, ferrovias e navios e diminui custos logísticos ao longo da cadeia.
Essa eficiência tornou Santos um ativo estratégico para o comércio exterior brasileiro. Quanto maior a capacidade de movimentação de contêineres, maior tende a ser a competitividade das empresas exportadoras e importadoras, especialmente em um cenário de disputa global por produtividade e redução de custos.
Os recordes também confirmam o fortalecimento do Porto de Santos como principal porta de entrada e saída de mercadorias do país, refletindo diretamente a expansão das cadeias produtivas e do fluxo comercial brasileiro.
Tecon 10 será decisivo para manter o crescimento
Os resultados recentes também evidenciam um novo desafio. O aumento contínuo da demanda exige expansão da infraestrutura para evitar gargalos e preservar a eficiência operacional.
A APS estima que o Tecon 10 aumentará em cerca de 50% a capacidade de movimentação de contêineres do Porto de Santos. O terminal é considerado o principal projeto de expansão do complexo para os próximos anos e deverá ser concedido por meio de leilão.
Sem esse reforço, o crescimento do volume de cargas poderá pressionar a capacidade instalada, elevar custos operacionais e limitar novos ganhos de produtividade.
Os números mostram que a evolução do Porto de Santos deixou de representar apenas o desempenho de um terminal portuário. Os 100 milhões de TEU simbolizam a transformação da logística brasileira, acompanhando a modernização do comércio exterior, o aumento da eficiência das cadeias de transporte e a necessidade de novos investimentos para sustentar o crescimento das próximas décadas.





