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Esfera Brasil iniciou encontros com economistas dos presidenciáveis

A Esfera Brasil, organização que visa fomentar o diálogo e o pensamento sobre o Brasil através da classe produtiva, no último mês (18/04), em São Paulo, deu “start” a uma série de encontros com economistas ligados aos partidos políticos que devem estar na disputa pelo Planalto este ano.

Ex-ministro Guido Mantega e o empresário João Camargo

O primeiro convidado foi o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, que participou dos governos petistas de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Referendado pelo PT para esse encontro, Mantega discorreu durante mais de duas horas sobre como ele vê a situação atual da economia e formulou algumas ideias para o próximo governo.

O ex-ministro foi enfático ao defender um programa de investimentos liderado pelo Estado como fator dinamizador da economia e disse que, logo no primeiro ano, o próximo governo, independentemente de quem ganhar as eleições, terá que promover uma reforma tributária a ser negociada como todos os setores interessados.

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Segundo o economista, na sua época, foi adotada uma âncora fiscal e o salário mínimo não podia subir mais do que a inflação.

“A inflação causa um estrago muito grande, corrói o poder aquisitivo não só da população de baixa renda mas também da classe média. Isso faz com que a chance da retomada de uma demanda efetiva [este ano] seja muito pequena”, disse Mantega ao presentes.

O ex-ministro da Fazenda elogiou a gestão de Roberto Campos Neto à frente do Banco Central. Para ele, Campos Neto tomou as decisões corretas na crise da pandemia, ao baixar os juros com agilidade.

Conforme publicado pela Esfera Brasil, Mantega esclareceu aos convidados a posição do Partido dos Trabalhadores em relação ao petróleo, às privatizações e às mudanças nas leis trabalhistas. Defendeu a lucratividade da Petrobras, mas disse que não concorda com a política de preços da empresa dos últimos anos. Como o petróleo é uma commodity sensível no mundo inteiro, o aumento de preço se reflete em toda a economia. Uma ideia para tentar amortecer esse efeito é a de se criar um fundo de estabilização, como é adotado em outros países.

Questionado se um novo governo petista priorizaria estatização e seria socialista, Mantega afirmou que não. “O investimento público é importante para dar sinergia ao investimento privado. Isso não significa uma estatização porque quando o Estado faz investimento, ele está contratando empresas privadas”, disse. Posso afirmar para vocês que o Lula de hoje é igualzinho ao de 2003. É o Lula conciliador, que tem a cabeça no lugar, que não radicaliza. Ele fará um governo de centro, sem radicalismos.”

A Esfera Brasil é presidida pelo empresário João Camargo.

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