O lucro da Vivara do primeiro trimestre de 2026 (1T26) caiu 27,9%, mesmo com crescimento das vendas e avanço da margem bruta. De acordo com o balanço trimestral divulgado nesta semana, a companhia encerrou o trimestre com lucro líquido de R$ 88,2 milhões, pressionada pelo aumento das despesas operacionais, da logística e do custo financeiro.
Apesar da queda, a varejista continuou expandindo lojas, ganhou participação no mercado brasileiro de joias e manteve crescimento forte da categoria Joias. O resultado, no entanto, mostrou que a estrutura necessária para sustentar essa expansão ficou mais cara em um ambiente de juros elevados e o ouro em máxima histórica.
Os principais números do trimestre mostram esse descompasso entre crescimento comercial e rentabilidade:
- receita bruta de R$ 751,8 milhões, alta de 13,8%
- receita líquida de R$ 595,5 milhões, avanço de 10,9%
- margem bruta de 69,8%, crescimento de 2 pontos percentuais
- EBITDA de R$ 96,7 milhões, queda de 2,1%
- margem EBITDA de 16,2%, retração de 2,2 pontos percentuais
Despesas crescem acima da receita e pressionam margem
O principal ponto de deterioração do lucro da Vivara no 1T26 apareceu nas despesas operacionais. Enquanto a receita líquida cresceu 10,9%, as despesas com vendas avançaram 20,4%, consumindo parte relevante do ganho operacional produzido pelo aumento das vendas.
A pressão veio de várias frentes ao mesmo tempo. A companhia elevou investimentos em campanhas de marketing para datas consideradas estratégicas no varejo de joias, acelerou abertura de lojas e passou a absorver custos maiores ligados à nova estrutura logística criada após a inauguração do centro de distribuição no Espírito Santo.
As pressões operacionais para o lucro da Vivara no primeiro trimestre vieram de:
- despesas com vendas: alta de 20,4%
- despesas com marketing: avanço de 39,2%
- frete: disparada de 85,7%
- outras despesas comerciais: crescimento de 39,1%
O frete virou um dos maiores focos de pressão sobre o resultado. A alta ocorreu tanto pela nova dinâmica logística do centro de distribuição quanto pela redistribuição de peças entre lojas dentro do plano de reorganização de estoques.
Mesmo com margem bruta maior, o EBITDA perdeu força porque a operação passou a exigir uma estrutura mais cara para sustentar crescimento e expansão da rede.
Alta do ouro afeta lucros e muda estratégia da Vivara no 1T26
A disparada do ouro no mercado internacional também começou a alterar a dinâmica operacional da Vivara.
Com a commodity acumulando valorização superior a 50% em 12 meses, a companhia acelerou mudanças no mix de produtos e na gestão de estoques para preservar rentabilidade sem comprometer vendas.
A empresa ampliou participação de categorias como Prata Vivara e Prata/Ouro, linhas com ticket mais acessível e margens elevadas, enquanto reduziu dependência de produtos integralmente expostos ao avanço do metal precioso.
Ao mesmo tempo, intensificou o reaproveitamento de metais e reduziu compras imediatas de ouro, aproveitando estoques adquiridos em períodos anteriores.
Os efeitos começaram a aparecer nos indicadores:
- O custo médio do ouro nos produtos acabados subiu apenas 11,7%
- A categoria Joias avançou 18,1%
- A margem bruta chegou a 69,8%
O movimento mostra que a companhia conseguiu preservar margem mesmo em um cenário mais hostil para o varejo de joias.
Juros altos ampliam peso das despesas financeiras
Além da operação mais cara, o ambiente financeiro passou a pressionar mais intensamente o lucro da companhia.
O lucro da Vivara no 1T26 foi impactado pelo aumento das despesas financeiras em um cenário de CDI elevado, maior custo da dívida e impacto contábil de derivativos ligados a operações em moeda estrangeira.
A companhia também começou a absorver os efeitos das debêntures emitidas em 2025, ampliando o peso dos juros sobre o resultado trimestral.
Esse cenário ajuda a explicar por que parte importante do ganho operacional produzido pelas vendas acabou sendo consumida pela estrutura financeira da companhia.
Estoque menor melhora caixa e eficiência operacional
Apesar da queda do lucro, os indicadores internos mostraram avanço relevante de eficiência financeira da Vivara no período do 1T26.
A Vivara encerrou março com 601 dias de estoque, redução de 77 dias na comparação anual. O movimento faz parte do plano iniciado no segundo semestre de 2025 para reduzir capital parado sem comprometer vendas e disponibilidade de produtos.
A estratégia envolve:
- redução da cobertura de ouro em matéria-prima
- reaproveitamento de componentes já armazenados
- diminuição da quantidade de peças por loja
- derretimento de joias com baixa rotatividade
A melhora começou a aparecer diretamente no caixa operacional e já pode ser observada no terceiro trimestre do mesmo ano.
Os indicadores financeiros ligados à eficiência avançaram no trimestre:
- geração operacional de caixa ajustada de R$ 92,2 milhões
- reversão do consumo de caixa registrado um ano antes
- ROIC de 23,1%
- redução de 77 dias de estoque
O retorno sobre capital investido (ROIC), indicador que mede a eficiência da empresa para gerar lucro com o dinheiro aplicado na operação, avançou justamente porque a companhia começou a operar com menor pressão de capital imobilizado.
Mesmo com lucro baixo no 1T26, expansão da Life continua impulsionando crescimento da Vivara
Mesmo com pressão sobre o lucro nesta temporada de resultados, a Vivara manteve ritmo forte de expansão da Life, marca que continua funcionando como principal vetor de crescimento da companhia.
A rede ampliou presença em shopping centers e ganhou relevância dentro da operação, principalmente entre consumidores mais sensíveis ao preço do ouro.
Os números da expansão mostram esse avanço:
- 224 lojas Life ao fim do trimestre
- abertura de 40 lojas em 12 meses
- 503 pontos de venda no total
- participação estimada de 24,8% no mercado brasileiro de joias
O lucro da Vivara no 1T26 acabou revelando uma companhia que continua crescendo acima do varejo tradicional, mas que passou a enfrentar um custo maior para sustentar expansão, logística e ganho de mercado em um cenário de juros elevados e ouro valorizado.



