A gestão do prefeito José Sarto enfrenta críticas crescentes pela falta de ações concretas para impulsionar o desenvolvimento econômico de Fortaleza. Apesar do anúncio da ampliação do programa Fortaleza Capacita, realizado em uma live na terça-feira (04/04), empresários e comerciantes destacam o abandono de áreas icônicas da cidade e a ausência de investimentos estruturais que poderiam transformar o ambiente de negócios local.
Crescimento limitado e abandono de áreas icônicas prejudicam o desenvolvimento econômico
Durante a transmissão, Sarto destacou números positivos sobre o turismo em Fortaleza, apontando-o como um dos principais fatores de crescimento econômico. Contudo, a visão otimista do prefeito contrasta com o relato de empresários, que denunciam problemas graves em pontos históricos e comerciais da cidade.
João Carlos Aires, empresário do centro da cidade, criticou a deterioração da Praça do Ferreira, uma referência histórica.
“Já foi um importante polo de lazer e comércio. Hoje, está tomada pelo lixo e pela falta de fiscalização, afastando moradores e turistas”, afirmou.
Na orla da Barra do Ceará, a situação também é desanimadora. Dona Maria Lima, dona de um restaurante na região, apontou a falta de manutenção como um entrave ao desenvolvimento econômico e turístico.
“Gastaram milhões na reurbanização, mas o descaso com a conservação compromete o turismo e o comércio local”, destacou.
Fortaleza perde espaço no ambiente empreendedor e no desenvolvimento econômico
Além do abandono de áreas importantes, Fortaleza enfrenta desafios no ambiente empreendedor. Dados divulgados com exclusividade pelo Economic News Brasil, no último sábado (01/04), revelaram que a cidade enfrenta dificuldades no Índice de Cidades Empreendedoras (ICE) de 2023, elaborado pela Escola Nacional de Administração Pública (Enap). O relatório aponta que Fortaleza caiu 10 posições no ranking geral referente ao período 2022/2023, ocupando agora a 43ª posição.
O prefeito José Sarto, no entanto, não abordou esses dados durante sua transmissão ao vivo. Empresários questionam a falta de explicações sobre a queda e a ausência de ações concretas para reverter o cenário. Entre os pontos críticos destacados no relatório estão a qualidade do capital humano e o mercado, ambos na 87ª posição, além de infraestrutura (30ª) e inovação (36ª).
A Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE) da Prefeitura de Fortaleza também tem sido alvo de críticas. Empresários apontam que a pasta concentra esforços em cursos para microempreendedores, mas negligencia iniciativas voltadas para a atração de grandes investimentos e projetos de parcerias público-privadas (PPP), que permanecem estagnados.
“Sem articulação e presença em eventos nacionais e internacionais, Fortaleza perde oportunidades de atrair investidores e fortalecer seu ambiente empreendedor”, afirmou um empresário que preferiu não se identificar.
Ações estruturais são essenciais para impulsionar o desenvolvimento econômico
Os programas de capacitação promovidos pela prefeitura, como o Fortaleza Capacita, têm sido alvo de questionamentos. Para empresários, essas iniciativas, embora importantes, não substituem a necessidade de investimentos em infraestrutura e articulação econômica.
“A capacitação é um passo, mas sem atrair empresas privadas e criar condições para o crescimento de negócios, ela se torna ineficaz”, afirmou um microempreendedor da feira da Messejana. Além disso, comerciantes alertam para o impacto das obras inacabadas no ambiente de negócios local, mencionando atrasos que comprometem a economia.
Futuro econômico de Fortaleza depende de mais do que boas intenções
Embora o prefeito José Sarto tenha afirmado que está elaborando um plano de ação para revitalizar áreas importantes da cidade, os empresários permanecem céticos. A ausência de resultados concretos até o momento aumenta a pressão sobre a gestão municipal para apresentar soluções eficazes.
Fortaleza precisa de um plano de desenvolvimento econômico integrado que vá além de medidas paliativas. A atração de investimentos, o fortalecimento do ambiente empreendedor e o cuidado com áreas icônicas são passos essenciais para que a cidade recupere sua relevância econômica e ofereça melhores condições para seus cidadãos.

“Curitiba tem um ecossistema vibrante, com mão de obra qualificada, diversidade de indústrias, excelentes universidades, empreendedores ousados e um espírito inovador que se espalha com o Vale do Pinhão, o nosso movimento colaborativo e integrado pela inovação”, disse o prefeito de Curitiba Rafael Greca, comemorando a posição de segunda melhor cidade do Brasil para startups
“Nós celebramos com nosso ecossistema essa excelente posição no ranking mundial, que nos motiva a trabalhar ainda mais e a levar os benefícios da inovação para cada cidadão”, afirmou Greca em declaração publicada no relatório da StartupBlink.











