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Celina Leão afasta executivos e tenta conter crise no BRB após rombo bilionário

Celina Leão inicia afastamento de gestores após prejuízo bilionário ligado ao Banco Master. A medida tenta conter a crise no BRB, recuperar a confiança e marcar ruptura com decisões que levaram ao rombo.
Celina Leão durante solenidade de posse ao lado do ex-governador Ibaneis Rocha em meio à crise no BRB
Celina Leão durante solenidade de posse ao lado do ex-governador Ibaneis Rocha, em meio à crise no BRB. (Foto: Felipe Ando / Agência CLDF)

A nova governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), anunciou nesta segunda-feira (30/3), durante a solenidade de posse, que vai solicitar o afastamento de executivos do Banco de Brasília (BRB) envolvidos nos negócios com o Banco Master, numa tentativa de conter a crise no BRB e reposicionar a gestão após um prejuízo bilionário. A medida ocorre às vésperas da divulgação do balanço de 2025, que deve expor o tamanho real do rombo.

A decisão marca uma inflexão política: mais do que uma medida administrativa, o movimento busca reconstruir a credibilidade do banco público e estabelecer uma linha de separação entre a nova gestão e decisões anteriores que levaram à crise.

O ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) renunciou ao cargo no último sábado (28/03) para concorrer ao cargo de senador da República.

Confira no vídeo o que disse Celina Leão durante a solenidade de posse:

A estratégia de distanciamento político

Conforme publicado pelo Metrópoles, Celina afirmou que “não participou de nenhuma decisão” ligada ao caso e sinalizou uma estratégia clara de comunicação: desvincular sua gestão de um problema herdado e reposicionar o governo como agente de correção.

Na prática, o afastamento de executivos funciona como um gesto de responsabilização interna. A mensagem é direcionada tanto ao mercado quanto à opinião pública: há mudança de comando e de postura.

Esse tipo de movimento costuma ser adotado em crises institucionais para conter desgaste político imediato, sobretudo quando há envolvimento de dinheiro público e suspeitas de irregularidade.

O peso da crise no BRB

O contexto amplia a pressão. Conforme publicado pelo portal J1 News Brasil, o BRB enfrenta um impacto financeiro estimado em pelo menos R$ 8 bilhões, resultado da compra de carteiras de crédito associadas ao Banco Master, posteriormente liquidado pelo Banco Central (BC).

Além disso, o banco adquiriu cerca de R$ 16 bilhões em ativos de terceiros, hoje sob suspeita. A dimensão dos valores transforma o caso em um dos episódios mais sensíveis da história recente da instituição.

No início do mês, a Justiça Federal proibiu o governo do Distrito Federal de usar imóveis públicos para reforçar o capital do banco.

Esse cenário cria um efeito direto: queda de confiança, aumento do escrutínio regulatório e risco reputacional para o governo do Distrito Federal, controlador do banco.

Transparência como eixo de reconstrução

A governadora também indicou que pretende exigir “transparência geral” na condução do caso. O foco passa a ser não apenas a responsabilização, mas a exposição completa das operações que levaram ao prejuízo.

Essa estratégia cumpre dois papéis:

  • reduzir o impacto político imediato
  • preparar o terreno para eventuais medidas mais duras após o balanço

A divulgação dos números de 2025, prevista para está terça-feira (31/3), é tratada internamente como um ponto crítico. O relatório deve consolidar o tamanho do problema e influenciar os próximos passos da gestão.

Disputa de narrativa e risco político

O caso do banco de Brasília também inaugura uma disputa de narrativa. De um lado, a tentativa do governo de apresentar a crise do BRB como um passivo herdado. De outro, a inevitável associação institucional entre o banco público e a atual administração.

Mesmo sem participação direta nas decisões, o governo passa a ser cobrado pela solução. Isso inclui:

  • recuperação financeira
  • responsabilização de envolvidos
  • garantia de estabilidade do banco

A condução dessa crise tende a influenciar a percepção pública sobre a gestão de Celina Leão, especialmente pela centralidade do BRB na economia local.

O que está em jogo agora

Nos próximos dias, dois fatores devem definir o rumo da crise:

  1. O balanço de 2025 — que indicará o tamanho real do impacto
  2. As medidas concretas após a divulgação — que mostrarão se o discurso de mudança será sustentado na prática

O afastamento de executivos diante da crise financeira do BRB é apenas o primeiro movimento de uma estratégia maior. O desafio seguinte será transformar o discurso de transparência em ações capazes de restaurar confiança e evitar novos danos institucionais.

Foto de Jackson Pereira Jr

Jackson Pereira Jr

Jackson Pereira Jr. é jornalista e empreendedor, fundador do Sistema BNTI de Comunicação e dos portais Economic News Brasil, Boa Notícia Brasil e J1 News Brasil.

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