A nova governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), anunciou nesta segunda-feira (30/3), durante a solenidade de posse, que vai solicitar o afastamento de executivos do Banco de Brasília (BRB) envolvidos nos negócios com o Banco Master, numa tentativa de conter a crise no BRB e reposicionar a gestão após um prejuízo bilionário. A medida ocorre às vésperas da divulgação do balanço de 2025, que deve expor o tamanho real do rombo.
A decisão marca uma inflexão política: mais do que uma medida administrativa, o movimento busca reconstruir a credibilidade do banco público e estabelecer uma linha de separação entre a nova gestão e decisões anteriores que levaram à crise.
O ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) renunciou ao cargo no último sábado (28/03) para concorrer ao cargo de senador da República.
Confira no vídeo o que disse Celina Leão durante a solenidade de posse:
A estratégia de distanciamento político
Conforme publicado pelo Metrópoles, Celina afirmou que “não participou de nenhuma decisão” ligada ao caso e sinalizou uma estratégia clara de comunicação: desvincular sua gestão de um problema herdado e reposicionar o governo como agente de correção.
Na prática, o afastamento de executivos funciona como um gesto de responsabilização interna. A mensagem é direcionada tanto ao mercado quanto à opinião pública: há mudança de comando e de postura.
Esse tipo de movimento costuma ser adotado em crises institucionais para conter desgaste político imediato, sobretudo quando há envolvimento de dinheiro público e suspeitas de irregularidade.
O peso da crise no BRB
O contexto amplia a pressão. Conforme publicado pelo portal J1 News Brasil, o BRB enfrenta um impacto financeiro estimado em pelo menos R$ 8 bilhões, resultado da compra de carteiras de crédito associadas ao Banco Master, posteriormente liquidado pelo Banco Central (BC).
Além disso, o banco adquiriu cerca de R$ 16 bilhões em ativos de terceiros, hoje sob suspeita. A dimensão dos valores transforma o caso em um dos episódios mais sensíveis da história recente da instituição.
No início do mês, a Justiça Federal proibiu o governo do Distrito Federal de usar imóveis públicos para reforçar o capital do banco.
Esse cenário cria um efeito direto: queda de confiança, aumento do escrutínio regulatório e risco reputacional para o governo do Distrito Federal, controlador do banco.
Transparência como eixo de reconstrução
A governadora também indicou que pretende exigir “transparência geral” na condução do caso. O foco passa a ser não apenas a responsabilização, mas a exposição completa das operações que levaram ao prejuízo.
Essa estratégia cumpre dois papéis:
- reduzir o impacto político imediato
- preparar o terreno para eventuais medidas mais duras após o balanço
A divulgação dos números de 2025, prevista para está terça-feira (31/3), é tratada internamente como um ponto crítico. O relatório deve consolidar o tamanho do problema e influenciar os próximos passos da gestão.
Disputa de narrativa e risco político
O caso do banco de Brasília também inaugura uma disputa de narrativa. De um lado, a tentativa do governo de apresentar a crise do BRB como um passivo herdado. De outro, a inevitável associação institucional entre o banco público e a atual administração.
Mesmo sem participação direta nas decisões, o governo passa a ser cobrado pela solução. Isso inclui:
- recuperação financeira
- responsabilização de envolvidos
- garantia de estabilidade do banco
A condução dessa crise tende a influenciar a percepção pública sobre a gestão de Celina Leão, especialmente pela centralidade do BRB na economia local.
O que está em jogo agora
Nos próximos dias, dois fatores devem definir o rumo da crise:
- O balanço de 2025 — que indicará o tamanho real do impacto
- As medidas concretas após a divulgação — que mostrarão se o discurso de mudança será sustentado na prática
O afastamento de executivos diante da crise financeira do BRB é apenas o primeiro movimento de uma estratégia maior. O desafio seguinte será transformar o discurso de transparência em ações capazes de restaurar confiança e evitar novos danos institucionais.





