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Crise do BRB: Justiça barra uso de imóveis do DF para cobrir rombo ligado ao Master

A crise do BRB entrou em nova fase após a Justiça barrar o uso de imóveis públicos pelo governo do DF para reforçar o capital do banco. A decisão suspende a principal estratégia de socorro financeiro e amplia a disputa jurídica sobre o patrimônio público.
sede do Banco de Brasília durante crise do BRB
ecisão da Justiça Federal impediu o uso de imóveis públicos na tentativa de reforçar o capital do BRB. (Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)

A crise do Banco de Brasília (BRB) ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (16/03), quando a Justiça Federal proibiu o governo do Distrito Federal de usar imóveis públicos para reforçar o capital do banco. A decisão atinge a principal estratégia apresentada pelo governo local para enfrentar o rombo financeiro ligado ao Banco Master.

O despacho foi assinado pelo juiz federal Daniel Carnacchioni e suspende trechos centrais da lei aprovada pela Câmara Legislativa do Distrito Federal no início do mês. O projeto autorizava o uso de ativos imobiliários do governo como instrumento para fortalecer o balanço bancário da instituição estatal.

Relação com o Banco Master explica o crise no BRB

A crise que pressiona o BRB está ligada a operações realizadas com o Banco Master, instituição controlada pelo empresário Daniel Vorcaro. Nos últimos anos, o BRB adquiriu carteiras de crédito originadas pelo Master, em operações estruturadas que transferiam esses ativos para o balanço do banco estatal.

Com a deterioração da qualidade dessas carteiras e dificuldades para revender parte dos ativos no mercado, o BRB passou a enfrentar pressão sobre sua liquidez. Estimativas internas e de analistas apontam que a exposição ligada a essas operações pode alcançar cerca de R$ 8 bilhões, valor que levou o governo do Distrito Federal a buscar alternativas para reforçar o capital da instituição.

Decisão da Justiça trava estratégia com imóveis públicos

O plano do governo para conter a crise previa transferir nove imóveis públicos ao Banco de Brasília (BRB). Esses ativos poderiam compor um fundo imobiliário destinado a levantar recursos ou servir como garantia em uma operação financeira.

Nesse desenho financeiro, os terrenos também poderiam respaldar um empréstimo de R$ 3,3 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O governo estimava que o conjunto dos imóveis teria valor aproximado de R$ 6,6 bilhões, embora a decisão judicial aponte ausência de laudos atualizados de avaliação patrimonial.

Segundo o juiz, a proposta foi aprovada sem estudos técnicos que demonstrassem os efeitos da operação sobre o patrimônio público. E, além disso, sobre a estrutura financeira das empresas envolvidas nos terrenos oferecidos.

Rombo no banco estatal amplia tensão institucional

A ação judicial que barrou a estratégia de socorro em meio a crise do BRB partiu de políticos do Partido Socialista Brasileiro (PSB). Entre os autores estão o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Ricardo Cappelli, e o deputado federal Rodrigo Rollemberg (DF).

Na decisão, Carnacchioni afirmou que a Câmara Legislativa não deveria estabelecer os instrumentos para capitalização da instituição financeira. Para o magistrado, esse tipo de solução deve surgir da própria administração do banco.

“A solução para a crise financeira do BRB deveria se originar da própria instituição financeira e não do Parlamento distrital”, escreveu o juiz.

Ele também alertou para o risco de transferência indireta de ativos pertencentes a empresas públicas instaladas nos terrenos oferecidos, entre elas Terracap, CEB, Caesb e Novacap.

Crise do BRB segue aberta no campo jurídico

Apesar do travamento pela Justiça Federal, a decisão não interfere na governança corporativa do banco nem impede o funcionamento de seus órgãos internos. A assembleia geral da instituição, prevista para quarta-feira (18/03), continua autorizada.

Além disso, a administração pode discutir alternativas para enfrentar a pressão sobre a liquidez bancária, desde que não execute imediatamente os instrumentos previstos na lei suspensa.

O governo do Distrito Federal ainda pode recorrer da decisão, já que o despacho foi proferido em primeira instância. No entanto, no ambiente político e financeiro de Brasília, a disputa jurídica reforça a percepção de que a crise do BRB se tornou um tema central na gestão de ativos públicos. Incluindo, é claro, a estabilidade do sistema financeiro regional.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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