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Embraer já gastou mais de R$ 806 milhões com negócio frustrado com a Boeing

(Foto: Divulgação)

O rompimento do acordo entre a Embraer e a Boeing  há mais de três anos continua gerando custos significativos para a empresa brasileira. De acordo com análises das demonstrações financeiras da Embraer dos últimos seis anos, além de documentos públicos depositados na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e na SEC (Securities and Exchange Commission), o gasto já ultrapassa a marca de R$ 806 milhões.

Agora, a Embraer busca o ressarcimento da Boeing pelo rompimento, mas alerta seus investidores sobre a possibilidade de não receber o dinheiro e até mesmo ser obrigada a arcar com danos monetários expressivos para a empresa americana.

Para chegar a esse valor, o InfoMoney teve que analisar minuciosamente os registros financeiros da Embraer, uma vez que a empresa evita fazer pronunciamentos públicos sobre o assunto. Além disso, a Embraer deixou de mencionar explicitamente o nome da Boeing em seus balanços, especialmente a partir de 2022, o que exigiu da reportagem uma busca detalhada por informações utilizando termos alternativos, como “Yaborã” (nome adotado pela divisão comercial da Embraer após a separação), “programa One Embraer” (projeto para reintegrar o negócio) ou até mesmo pelo nome técnico “carve-out”.

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Os gastos expressivos da Embraer incluíram a separação da divisão comercial da empresa (que seria transformada em uma joint venture com a Boeing) e sua posterior reintegração, após o fracasso do acordo.

Os mais de R$ 806 milhões foram desembolsados da seguinte maneira: R$ 485,5 milhões em 2019, após a assinatura do MTA (Master Transaction Agreement, o documento que estabeleceu os termos do acordo); R$ 215,7 milhões no primeiro semestre de 2020, antes do cancelamento do negócio pela Boeing; R$ 105,6 milhões em 2021, relacionados ao programa One Embraer criado para reintegrar a divisão comercial à Embraer.

A Embraer afirmou que não comenta sobre o acordo fracassado nem sobre o processo de arbitragem em andamento desde 2020. No entanto, a empresa é obrigada a tratar do assunto em seus balanços e nos documentos públicos depositados na CVM e na SEC. É importante ressaltar que, como consequência desse episódio, a Embraer demitiu aproximadamente 900 funcionários no Brasil, correspondendo a 4,5% de sua força de trabalho, no terceiro trimestre de 2020.

Nos documentos, a Embraer alega que a Boeing “rescindiu indevidamente o acordo que criaria parcerias nas áreas da aviação comercial e de defesa & segurança, gerando custos significativos para nossa empresa”. Por outro lado, a gigante americana afirma que tinha o direito de cancelar o acordo, uma vez que a empresa brasileira não cumpriu os termos estabelecidos no contrato.

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