Empresários argentinos se opõem à dolarização total da economia

O mercado de câmbio foi afetado pela fala de Lula, que gerou um sentimento negativo, uma vez que o governo trabalha com a meta de resultado primário zero para o próximo ano.
Foto: Karolina Grabowska/Pexels

No maior encontro empresarial realizado em Mar del Plata, em pesquisa realizada pela agência Reuters, 125 executivos de diversos setores foram questionados se preferem que o governo mantenha o peso, adote um sistema de dupla moeda peso-dólar ou faça a transição completa para o dólar.

A pesquisa fornece uma visão detalhada de como o setor empresarial argentino enxerga o debate sobre a dolarização, um tema central na corrida eleitoral em direção ao voto de 22 de outubro.

Dois terços dos entrevistados apoiam um sistema bimonetário proposto pela candidata conservadora Patricia Bullrich, que é popular entre os líderes empresariais, mas está atrás nas pesquisas de opinião. Quase um terço prefere manter o peso, apesar de sua recente desvalorização e inflação de três dígitos.

A forte oposição empresarial destaca um dos desafios que o futuro presidente enfrentaria ao implementar seus planos para a economia. Incluindo, eventualmente, o fechamento do banco central. O candidato rival Sergio Massa apoia a manutenção do peso, mas tem lutado para reduzir a inflação ou conter a desvalorização.

Política monetária na mira dos presidenciáveis

Os argentinos votarão em 22 de outubro. O segundo turno ocorre um mês depois se nenhum candidato vencer no primeiro turno. Nesse sentido, é necessário ter 45% dos votos ou 40% com uma vantagem de 10 pontos.

A maioria dos empresários entrevistados no encontro empresarial IDEA disse ser importante manter o peso para poder ajustar variáveis monetárias e manter a competitividade. Uma mudança completa para o dólar significaria abrir mão de instrumentos de política monetária.

Na pesquisa, cerca de 80% disseram preferir um governo Bullrich, apoiando seus planos para normalizar a economia. Cerca de 11% se inclinaram para Massa e apenas 7% apoiaram Milei. A maioria dos entrevistados estimou o valor real do peso entre 650 e 1.000 por dólar, muito mais fraco do que a taxa oficial controlada de 350 pesos. O país possui rigorosos controles de capital que limitam as operações de câmbio oficiais, o que alimentou mercados paralelos populares.

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