Preço das casas em Portugal sobe e morar no país fica mais difícil para brasileiros

O preço das casas em Portugal subiu 16,8% em 2025 e já impacta diretamente o acesso à moradia. Com mais de 513 mil brasileiros no país, a demanda cresce, os preços sobem e morar nas principais cidades se torna cada vez mais difícil.
Imagem da Grande Lisboa para ilustrar uma matéria jornalística sobre o Preço das casas em Portugal.
Preço das casas em Portugal sobe e dificulta acesso à moradia. (Imagem: Laura/Pixabay)

O preço das casas em Portugal subiu 16,8% em 2025, atingindo 2.076 euros por metro quadrado, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE). A alta ocorre em um cenário de forte presença estrangeira, incluindo mais de 513 mil brasileiros residentes, e expõe uma mudança estrutural: o acesso à moradia no país está ficando mais restrito, especialmente para quem depende de renda local.

Logo após o avanço dos preços, o impacto deixa de ser apenas estatístico e passa a ser prático. Morar em Portugal ficou mais caro e mais seletivo, sobretudo nas regiões com maior oferta de empregos e infraestrutura.

Preço das casas em Portugal avança e limita acesso nas grandes cidades

O aumento do preço das casas em Portugal se concentra nas regiões mais dinâmicas, onde a demanda cresce mais rápido que a oferta.

Os valores já superam a média nacional em:

  • Grande Lisboa: 3.439 euros/m²
  • Algarve: 3.139 euros/m²
  • Península de Setúbal: 2.596 euros/m²
  • Área Metropolitana do Porto: 2.305 euros/m²
  • Madeira: 2.500 euros/m²

Lisboa lidera o ranking com 4.875 euros/m², seguida por:

  • Cascais: 4.550 euros/m²
  • Oeiras: 4.187 euros/m²
  • Loulé: 3.993 euros/m²
  • Lagos: 3.801 euros/m²

Além do nível elevado, a diferença entre municípios dentro das mesmas regiões ultrapassa 2.000 euros/m², indicando um mercado cada vez mais segmentado e desigual.

Brasileiros ampliam presença e intensificam disputa por imóveis

Portugal abriga hoje a segunda maior comunidade brasileira do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.

De acordo com o Itamaraty:

  • são 513 mil brasileiros vivendo em Portugal
  • o número cresceu mais de 150 mil pessoas entre 2022 e 2023

Esse avanço coincide com a alta do preço das casas em Portugal e aumenta a pressão sobre o mercado, principalmente nas cidades mais procuradas.

Para comparação:

  • Reino Unido: cerca de 230 mil brasileiros
  • Japão: cerca de 210 mil

Portugal concentra mais que o dobro desses países, reforçando o peso da demanda estrangeira na dinâmica imobiliária.

Estrangeiros criam um segundo mercado e elevam os preços

Além do volume, o perfil dos compradores redefine os valores praticados.

Em Lisboa:

  • Compradores nacionais: 4.813 euros/m²
  • Compradores estrangeiros: 6.026 euros/m²

A diferença supera 1.200 euros por metro quadrado e cria, na prática, um segundo mercado, com preços mais altos.

Esse padrão se repete em cidades como Cascais, Oeiras e Porto. O efeito é direto: quando parte da demanda aceita pagar mais, o preço médio sobe para todos, inclusive para quem vive e trabalha no país.

Mercado segue aquecido, mas exclui quem depende de renda local

Mesmo com a alta, o volume de transações continua elevado. Em 2025, foram 164.677 vendas.

As cidades com mais negócios incluem:

  • Lisboa: 8.235
  • Sintra: 6.363
  • Vila Nova de Gaia: 5.494
  • Porto: 4.503

O dado mostra um mercado ativo, sustentado por compradores com maior poder aquisitivo, enquanto o acesso se torna mais limitado para a população local.

Casas novas mais caras mantêm pressão sobre o mercado

A diferença entre imóveis novos e usados também reforça a alta do preço das casas em Portugal.

Em 23 dos 24 maiores municípios, imóveis novos são mais caros. Em Lisboa:

  • Novos: 5.890 euros/m²
  • Usados: 4.725 euros/m²

A diferença de 1.165 euros/m² dificulta a ampliação da oferta acessível e mantém o mercado pressionado.

A exceção foi Amadora, onde imóveis usados ficaram mais caros.

Alta continua e indica limite crescente de acesso

No quarto trimestre de 2025, o preço das casas em Portugal manteve a trajetória de alta:

  • 2.198 euros/m²
  • +17,5% na comparação anual

Ao mesmo tempo, o número de transações caiu 5,3%, sinalizando um possível limite de acessibilidade.

Ainda assim, os preços subiram em 24 das 26 sub-regiões, com quedas apenas em:

  • Alto Tâmega e Barroso (-12,1%)
  • Madeira (-8,3%)

Preço das casas em Portugal elevado redefine quem consegue comprar

A combinação entre valorização acelerada e demanda estrangeira crescente está mudando o acesso à moradia no país.

De um lado:

  • preços sobem em ritmo elevado
  • estrangeiros pagam mais
  • regiões centrais concentram valorização

De outro:

  • moradores enfrentam custos crescentes
  • acesso à compra fica mais difícil
  • a disputa por imóveis se intensifica

O preço das casas em Portugal deixa de ser apenas um indicador de mercado e passa a funcionar como um filtro: define quem consegue permanecer nas áreas mais valorizadas e quem fica de fora, em um cenário cada vez mais competitivo para moradores e novos imigrantes.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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