O preço das casas em Portugal subiu 16,8% em 2025, atingindo 2.076 euros por metro quadrado, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE). A alta ocorre em um cenário de forte presença estrangeira, incluindo mais de 513 mil brasileiros residentes, e expõe uma mudança estrutural: o acesso à moradia no país está ficando mais restrito, especialmente para quem depende de renda local.
Logo após o avanço dos preços, o impacto deixa de ser apenas estatístico e passa a ser prático. Morar em Portugal ficou mais caro e mais seletivo, sobretudo nas regiões com maior oferta de empregos e infraestrutura.
Preço das casas em Portugal avança e limita acesso nas grandes cidades
O aumento do preço das casas em Portugal se concentra nas regiões mais dinâmicas, onde a demanda cresce mais rápido que a oferta.
Os valores já superam a média nacional em:
- Grande Lisboa: 3.439 euros/m²
- Algarve: 3.139 euros/m²
- Península de Setúbal: 2.596 euros/m²
- Área Metropolitana do Porto: 2.305 euros/m²
- Madeira: 2.500 euros/m²
Lisboa lidera o ranking com 4.875 euros/m², seguida por:
- Cascais: 4.550 euros/m²
- Oeiras: 4.187 euros/m²
- Loulé: 3.993 euros/m²
- Lagos: 3.801 euros/m²
Além do nível elevado, a diferença entre municípios dentro das mesmas regiões ultrapassa 2.000 euros/m², indicando um mercado cada vez mais segmentado e desigual.
Brasileiros ampliam presença e intensificam disputa por imóveis
Portugal abriga hoje a segunda maior comunidade brasileira do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.
De acordo com o Itamaraty:
- são 513 mil brasileiros vivendo em Portugal
- o número cresceu mais de 150 mil pessoas entre 2022 e 2023
Esse avanço coincide com a alta do preço das casas em Portugal e aumenta a pressão sobre o mercado, principalmente nas cidades mais procuradas.
Para comparação:
- Reino Unido: cerca de 230 mil brasileiros
- Japão: cerca de 210 mil
Portugal concentra mais que o dobro desses países, reforçando o peso da demanda estrangeira na dinâmica imobiliária.
Estrangeiros criam um segundo mercado e elevam os preços
Além do volume, o perfil dos compradores redefine os valores praticados.
Em Lisboa:
- Compradores nacionais: 4.813 euros/m²
- Compradores estrangeiros: 6.026 euros/m²
A diferença supera 1.200 euros por metro quadrado e cria, na prática, um segundo mercado, com preços mais altos.
Esse padrão se repete em cidades como Cascais, Oeiras e Porto. O efeito é direto: quando parte da demanda aceita pagar mais, o preço médio sobe para todos, inclusive para quem vive e trabalha no país.
Mercado segue aquecido, mas exclui quem depende de renda local
Mesmo com a alta, o volume de transações continua elevado. Em 2025, foram 164.677 vendas.
As cidades com mais negócios incluem:
- Lisboa: 8.235
- Sintra: 6.363
- Vila Nova de Gaia: 5.494
- Porto: 4.503
O dado mostra um mercado ativo, sustentado por compradores com maior poder aquisitivo, enquanto o acesso se torna mais limitado para a população local.
Casas novas mais caras mantêm pressão sobre o mercado
A diferença entre imóveis novos e usados também reforça a alta do preço das casas em Portugal.
Em 23 dos 24 maiores municípios, imóveis novos são mais caros. Em Lisboa:
- Novos: 5.890 euros/m²
- Usados: 4.725 euros/m²
A diferença de 1.165 euros/m² dificulta a ampliação da oferta acessível e mantém o mercado pressionado.
A exceção foi Amadora, onde imóveis usados ficaram mais caros.
Alta continua e indica limite crescente de acesso
No quarto trimestre de 2025, o preço das casas em Portugal manteve a trajetória de alta:
- 2.198 euros/m²
- +17,5% na comparação anual
Ao mesmo tempo, o número de transações caiu 5,3%, sinalizando um possível limite de acessibilidade.
Ainda assim, os preços subiram em 24 das 26 sub-regiões, com quedas apenas em:
- Alto Tâmega e Barroso (-12,1%)
- Madeira (-8,3%)
Preço das casas em Portugal elevado redefine quem consegue comprar
A combinação entre valorização acelerada e demanda estrangeira crescente está mudando o acesso à moradia no país.
De um lado:
- preços sobem em ritmo elevado
- estrangeiros pagam mais
- regiões centrais concentram valorização
De outro:
- moradores enfrentam custos crescentes
- acesso à compra fica mais difícil
- a disputa por imóveis se intensifica
O preço das casas em Portugal deixa de ser apenas um indicador de mercado e passa a funcionar como um filtro: define quem consegue permanecer nas áreas mais valorizadas e quem fica de fora, em um cenário cada vez mais competitivo para moradores e novos imigrantes.



