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Excesso de vinho força agricultores a mudarem de ramo

Excesso de vinho força agricultores a mudarem de ramo produção
(Foto: Reprodução/Pexels).

A crise no setor vinícola global torna-se evidente quando Tony Townsend, produtor de uvas na Austrália, toma a difícil decisão de destruir metade de sua vinha. Apesar de uma produção saudável, a economia desfavorável forçou Townsend a desistir de colher, enfrentando uma perda estimada em cerca de 35 mil dólares australianos. Esta ação drástica reflete a pressão crescente sobre os agricultores, exacerbada por custos aumentados devido à pandemia e tarifas comerciais. Townsend, situado em Riverland, região responsável por um terço da produção nacional de vinho da Austrália, ilustra a luta enfrentada por muitos no setor.

Em todo o mundo, o desafio é semelhante: a demanda por vinho diminui, enquanto os estoques continuam a crescer. Dados da Organização Internacional da Vinha e do Vinho indicam que a produção mundial de vinho em 2023 atingiu seu ponto mais baixo em sessenta anos. No entanto, a persistência de altos estoques sugere uma diminuição acentuada na demanda.

 

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Nos Estados Unidos, a região da Califórnia vive um dos desequilíbrios mais severos entre oferta e demanda das últimas três décadas, segundo Stuart Spencer, da Comissão de Vinhos de Lodi. A Austrália, por sua vez, enfrenta altos níveis de estoque, apesar de uma produção reduzida, como reportado pela Wine Australia.

Fatores externos como a guerra na Ucrânia e mudanças climáticas contribuem para o aumento nos custos de insumos, como combustível e fertilizantes. Richard Halstead, diretor de operações de insights do consumidor na empresa de pesquisa de bebidas alcoólicas IWSR, comenta sobre a instabilidade que esses custos adicionam ao já delicado equilíbrio econômico do setor vinícola.

Alterações nos padrões de consumo também impactam o mercado. Christophe Chateau, porta-voz do Conselho de Vinhos de Bordeaux, na França, nota um aumento na preferência por vinhos de menor teor alcoólico, enquanto a geração Z demonstra um interesse menor em bebidas alcoólicas. Em contraste, na Espanha, José Luis Benítez, diretor geral da Federação Espanhola de Vinho, relata um excesso de vinhos tintos de Rioja, mesmo com uma demanda crescente por vinhos brancos.

A França tentou abordar o excesso de produção através de incentivos financeiros para a remoção de vinhas e a conversão de vinho em etanol. No entanto, a eficácia dessas medidas ainda é questionável, com a França se tornando o maior produtor mundial de vinho em 2023.

Spiros Malandrakis, gerente da indústria de bebidas alcoólicas da Euromonitor International, destaca um problema fundamental na indústria: a falta de adaptação às mudanças no mercado. A ênfase em marcas premium em momentos de restrições orçamentárias e o interesse crescente na cannabis pela geração Z afastam os consumidores potenciais do vinho.

Neste contexto, para alguns agricultores, como Townsend, a única opção parece ser o abandono da vinicultura. Townsend planeja usar sua terra para cultivar vegetação nativa, buscando uma nova fonte de alegria e retorno à natureza, contrastando com a pressão econômica que caracterizou os últimos anos na indústria do vinho.

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