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China lança plano bilionário para comprar imóveis encalhados

A China lança um pacote de estímulo ao setor imobiliário, mobilizando US$ 42 bilhões para a compra de imóveis encalhados.
China lança plano bilionário para comprar imóveis encalhados
(Foto: Ayala/Unsplash).
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Em resposta à crise que atinge o setor imobiliário, o governo da China, liderado pelo presidente Xi Jinping, anunciou uma robusta intervenção. Nesta sexta-feira (17), foi divulgado que o Banco Popular da China disponibilizará 300 bilhões de yuans (equivalente a US$ 42 bilhões) para a aquisição de imóveis que atualmente estão sem compradores.

Durante coletiva de imprensa em Pequim, a vice-governadora do Banco Popular da China, Tao Ling, revelou os detalhes do plano. Segundo ela, o montante será distribuído entre 21 entidades governamentais, incluindo bancos e outras instituições financeiras estatais. O objetivo é incentivar essas entidades a adquirirem imóveis disponíveis no mercado por um preço considerado justo. Tao Ling acrescentou que a medida deverá injetar, indiretamente, aproximadamente US$ 69 bilhões no setor, por meio de empréstimos com juros subsidiados.

 

O mercado imobiliário chinês tem sido um grande desafio para o crescimento econômico do país. Com uma queda acentuada nas vendas, que atingiu 47% nos primeiros quatro meses do ano, e um aumento no volume de moradias não vendidas — o maior em oito anos —, o setor enfrenta uma severa recessão. Esta crise ameaça cerca de cinco milhões de empregos e gera visíveis sinais de estagnação, como obras paradas e grandes empreendimentos desabitados.

As novas medidas, descritas como históricas pelo governo, incluem também a liberação de 1 trilhão de yuans (US$ 138 bilhões) adicionais para financiamentos, além da flexibilização das normas para hipotecas. Governos locais foram instruídos a preparar-se para adquirir parte dos imóveis disponíveis.

 

A intervenção busca estabilizar os preços, bem como reduzir o excessivo estoque de imóveis, que tem pressionado a economia. A decisão foi bem recebida por investidores e analistas, que veem nas compras governamentais uma tentativa de revitalizar a demanda e apoiar as incorporadoras.

Raymond Yeung, economista-chefe do ANZ, comentou sobre as medidas, considerando-as um movimento estratégico. “O maior desafio será estimular a demanda do setor privado. Embora a liquidação de estoques possa melhorar o fluxo de caixa das incorporadoras, isso não necessariamente reconstruirá a confiança do setor privado”, explicou ao Reuters.

Para além das compras diretas, o vice-primeiro-ministro He Lifeng esclareceu que os imóveis adquiridos servirão como moradias acessíveis na China. Ele também informou que os governos locais poderão recomprar terrenos previamente vendidos aos incorporadores, enfatizando que o governo está comprometido em completar projetos que foram paralisados.

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