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Crise no governo Milei com queda do PIB e risco-país elevado

Crises política e econômica marcam governo Milei

(Foto: Twitter Javier Milei – @JMilei)

Prestes a completar seis meses na Presidência da Argentina, Javier Milei enfrenta um cenário desafiador. A economia apresenta incertezas, há dificuldades políticas, além de polêmicas internas e externas. Essas questões configuram um quadro preocupante para o presidente e para o país.

Nas últimas semanas, o dólar blue, que havia se mantido estável por meses, voltou a subir, alcançando 1.300 pesos. Economistas argentinos explicam que o setor agroexportador está retendo a safra à espera de uma melhor cotação do dólar oficial, que está estável desde dezembro. Contudo, desvalorizar o câmbio oficial pode arriscar a queda atual da inflação. Essas incertezas derrubaram os títulos da dívida e elevaram o risco-país.

Impacto na Economia e Falta de Gás

O PIB argentino, na crise no governo Milei, registrou uma queda de 5,3% no primeiro trimestre, em comparação com o mesmo período de 2023. Em março, a queda foi ainda mais acentuada, de 8,4%. Essa forte contração já era esperada devido ao ajuste fiscal do governo, mas os números foram piores do que o previsto.

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Adicionalmente, o país enfrenta uma escassez de gás. Na semana passada, o governo anunciou cortes no fornecimento de gás para a indústria para garantir o abastecimento da população durante uma forte onda de frio. A falta de reajuste no preço do gás desestimula a produção interna.

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Falta de Aprovação de Reformas

Faltando duas semanas para completar seis meses no cargo, Milei ainda não conseguiu aprovar nenhuma reforma no Congresso argentino, onde sua base de apoio é minoritária. Dois meses atrás, ele propôs um amplo acordo político aos governadores, chamado de pacto de maio. Contudo, no feriado nacional de 25 de maio, Milei discursou sozinho em Córdoba, sem a presença dos governadores.

Protestos e Desafios Internos

A situação política também ameaça causar a primeira baixa importante na equipe de governo. Nicolás Posse, chefe de Gabinete e amigo antigo de Milei, pode deixar o cargo devido a um desentendimento com Karina, irmã do presidente.

Além disso, há quase duas semanas, professores, policiais, médicos, enfermeiros e outros funcionários públicos estão em mobilização na província de Misiones, na fronteira com o Brasil. Eles exigem recomposição salarial diante de uma inflação acumulada de quase 300% nos últimos 12 meses. As contas das províncias enfrentam forte pressão, já que Milei cortou os repasses de verba do governo federal para gerar superávit fiscal e pressionar os governadores a apoiá-lo no Congresso.

Conflitos Externos

A crise externa com a Espanha é outro ponto crítico. Há uma semana, durante um evento em Madri, Milei chamou de corrupta a esposa do premiê espanhol Pedro Sánchez. A Espanha exigiu desculpas, mas não foi atendida, levando ao rompimento de relações e à retirada da embaixadora espanhola de Buenos Aires.

Essa crise no governo Milei pode prejudicar a recuperação econômica argentina, pois empresas espanholas e europeias podem hesitar em investir no país. Além disso, a aprovação de um novo empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI), pleiteado pela Argentina, pode ser afetada.

Aprovação Popular e Desafios Futuros

Quando completou 100 dias de governo em março, Javier Milei dividia a opinião pública. Segundo dados da Atlas Intel, a aprovação e a rejeição de seu mandato estavam quase iguais: 47,7% aprovavam suas políticas, enquanto 47,6% as rejeitavam. Algumas das principais propostas de Milei, como a desregulamentação da economia e a dolarização, não têm o apoio da maioria.

Além disso, o presidente cometeu um erro político ao cantar em um show de rock na véspera da divulgação de dados ruins do PIB e do aumento da pobreza para 55%. Esses episódios e as crises que enfrenta mostram que Milei tem desafios significativos pela frente.

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