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Cresce para 5,4 milhões o número de jovens “nem-nem”

Levantamento revela alta de jovens sem estudo ou trabalho

Cresce para 5,4 milhões o número de jovens "nem-nem"
(Foto: Jesús Rodríguez/Unsplash).

O número de jovens entre 14 e 24 anos que não estão empregados, não estudam e não procuram emprego aumentou expressivamente. O levantamento mais recente da Subsecretaria de Estatísticas e Estudos do Trabalho, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), mostra que esse grupo alcançou 5,4 milhões de pessoas no primeiro trimestre deste ano. No mesmo período do ano anterior, eram 4 milhões.

Este aumento foi divulgado durante o evento Empregabilidade Jovem, realizado pelo Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) em São Paulo.

Desafios das mulheres jovens

Paula Montagner, subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho do MTE, explicou em entrevista à Agência Brasil que esse crescimento se deve a vários fatores. As mulheres jovens, que representam 60% deste grupo, enfrentam particularmente grandes desafios. “Há muita dificuldade de as mulheres entrarem no mercado de trabalho, em especial, mulheres jovens. Por outro lado, há esse apelo para que as jovens busquem alguma outra forma de ajudar a sociedade, que é ter filhos mais jovens, além de um certo conservadorismo entre os jovens que acham que só o marido trabalhando seria suficiente”, disse.

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Iniciativa Pé-de-Meia

Além disso, o governo federal lançou recentemente o programa Pé-de-Meia, que visa incentivar jovens de baixa renda a permanecerem no ensino médio. O programa oferece incentivos financeiros de R$ 3 mil por ano, podendo chegar a até R$ 9,2 mil ao longo dos três anos do ensino médio, com um adicional de R$ 200 pela participação no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no último ano. Mas, segundo Paula Montagner, os efeitos desse programa entre os jovens só poderão ser sentidos nos próximos anos.

Informalidade no trabalho jovem

No primeiro trimestre deste ano, dos 34 milhões de jovens brasileiros nesta faixa etária, 14 milhões estavam ocupados, mas 45% desses empregos eram informais. “A informalidade tem a ver com o fato dos jovens trabalharem predominantemente em micro e pequenas empresas. Jovens que vão muito cedo para o mercado de trabalho e não vão na condição de aprendizes; na maioria das vezes não têm uma situação de contratação formalizada. Quase sempre eles estão trabalhando como assalariados, sem carteira de trabalho assinada, porque o empregador, por vezes, fica na dúvida se o jovem vai, de fato, desempenhar corretamente as funções, se ele vai gostar do emprego ou não. Então, eles esperam um tempo um pouquinho maior para formalizá-los”, explicou.

Aumento de aprendizes e estagiários

O levantamento também apontou que houve, recentemente, um crescimento no número de aprendizes e de estagiários no país. No caso dos aprendizes, só entre os anos de 2022 e 2024 houve um acréscimo de 100 mil jovens que passaram para a condição de aprendizado. Em abril deste ano eles já somavam 602 mil, o dobro do que havia em 2011. Em relação aos estágios, o crescimento foi 37% entre 2023 e 2024, passando de 642 mil adolescentes e jovens nessa condição para 877 mil neste ano.

Visão da superintendência do CIEE

Para Rodrigo Dib, da superintendência institucional do CIEE, os resultados dessa pesquisa “mostram que a empregabilidade jovem é um desafio urgente para o Brasil”. “Precisamos incluir essa faixa etária no mundo do trabalho de maneira segura e de olho no desenvolvimento desses jovens a médio e longo prazo”, disse.

Comentários finais da subsecretária

Paula Montagner reiterou a importância de elevar a escolaridade e a qualificação técnica dos jovens. “Ele precisa estudar, elevar a escolaridade e ampliar sua formação técnica e tecnológica”, afirmou. “A gente precisa também reforçar as situações de estágio e aprendizado conectado ao ensino técnico e aos cursos profissionalizantes não só para o jovem buscar uma inserção para sobreviver, mas para ele criar um acúmulo de conhecimento que permita que ele desenvolva uma carreira, para que ele encontre áreas de conhecimento que são do seu interesse”, acrescentou a subsecretária.

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