Captação dos Fundos de Investimento cresce R$ 159 bilhões no 1º semestre

Fundos de investimento captam R$ 159 bilhões no primeiro semestre de 2024, com destaque para renda fixa e crédito privado.
Captação de fundos; desempenho de investimentos.
(Foto: Pixabay/Pexels)

A captação dos fundos investimento no Brasil registrou uma entrada líquida de R$ 159 bilhões no primeiro semestre de 2024, conforme dados da  Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA). O desempenho marca o segundo melhor resultado para o período nos últimos cinco anos, superado apenas por 2021, quando a captação atingiu R$ 274,6 bilhões de janeiro a junho. Comparando com o mesmo período de 2023, houve uma reversão substancial nos resgates, que anteriormente somavam R$ 124,1 bilhões.

Impulso da Renda Fixa

No mesmo período do ano anterior, a classe de renda fixa havia sofrido resgates de R$ 73,1 bilhões.

Pedro Rudge, diretor da ANBIMA, afirma que “a renda fixa continua a liderar a recuperação da indústria de fundos em 2024, com a tendência de manutenção da taxa Selic em 10,5% até o final do ano.”

Desempenho dos Fundos de Crédito Privado

Dentro da classe de renda fixa, os fundos de crédito privado se destacaram, com uma captação líquida de R$ 163 bilhões entre janeiro e maio. Fundos com mais de 70% de concentração em crédito privado atraíram um volume considerável de aportes, somando R$ 61,1 bilhões no período. Além disso, os fundos de renda fixa de infraestrutura também chamaram atenção, com captação líquida acumulada de R$ 53,2 bilhões até maio. O patrimônio líquido desses fundos aumentou de R$ 68,4 bilhões em janeiro para R$ 118,4 bilhões em maio. O número de fundos subiu de 459 para 698. A quantidade de contas aumentou de 291.551 para 524.085.

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Desempenho Negativo em Multimercados e Ações

No entanto, nem todas as categorias de fundos apresentaram resultados positivos. Os fundos multimercados registraram resgates líquidos de R$ 81 bilhões no primeiro semestre. Em comparação, houve retiradas de R$ 52,4 bilhões no mesmo período de 2023. Os fundos de ações tiveram uma captação líquida negativa de R$ 0,1 bilhão. No mesmo período do ano passado, os saques foram de R$ 36,5 bilhões.

Rudge explica que “os fundos com perfil mais arriscado são afetados por indefinições na política monetária dos EUA e incertezas fiscais domésticas, tornando a leitura de cenário pelos gestores mais desafiadora.”

Rentabilidades e Destaques

Na classe de renda fixa, os fundos do tipo duração baixa crédito livre apresentaram os melhores resultados no primeiro semestre. Os fundos de duração média crédito livre também destacaram-se com rentabilidades de 6,06% e 5,97%, respectivamente. Ambos superaram a taxa DI do período, que foi de 5,22%. Nos fundos multimercados, o tipo estratégia específica, que investe em commodities e futuros de índices, liderou com uma rentabilidade de 6,01%. Entre os fundos de ações, os que investem no exterior se destacaram com um retorno positivo de 2,08%, em contraste com o Ibovespa, que caiu 7,66% no primeiro semestre.

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Adaptação à Resolução 175

Desde que a Resolução 175 foi implementada em outubro de 2023, até maio deste ano, 3.330 fundos se adaptaram às novas normas. Outros 2.865 fundos foram criados já sob a nova regulamentação, totalizando um patrimônio líquido de R$ 706,9 bilhões. Isso representa 19,8% do total de fundos da indústria. Rudge esclarece que “os fundos exclusivos, que respondem por 43% dos fundos adaptados, possuem uma estrutura mais simples de adaptar comparada aos fundos de varejo.”

A captação do fundos de investimento multimercados lideram a adaptação, com um total de 2.188 fundos, seguidos pelos FIDCs (1.672) e fundos de previdência (755). Fundos destinados a investidores profissionais, com mais de R$ 10 milhões aplicados, totalizam 3.524, à frente dos 2.222 fundos para investidores em geral.

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Jackson Pereira Jr

Jackson Pereira Jr. é jornalista e empreendedor, fundador do Sistema BNTI de Comunicação e dos portais Economic News Brasil, Boa Notícia Brasil e J1 News Brasil.

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