Salários do Judiciário sobem 8% em 2026 após veto presidencial

Os salários do Judiciário terão reajuste de 8% em 2026 após sanção de Lula com vetos às parcelas futuras, reacendendo o debate fiscal no Congresso.
Estátua da Justiça em frente ao Supremo Tribunal Federal
Estátua da Justiça em frente ao STF, em Brasília, durante discussões sobre os salários do Judiciário e limites fiscais. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Os salários do Judiciário terão reajuste de 8% a partir de 1º/07/2026, após sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao projeto aprovado pelo Congresso. A nova lei, porém, saiu com vetos relevantes, que eliminaram as recomposições previstas para 2027 e 2028, originalmente incluídas no texto enviado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Embora o Congresso tenha aprovado uma atualização em três parcelas anuais e cumulativas, o Palácio do Planalto optou por restringir o aumento ao próximo exercício. Na justificativa formal, o Executivo afirmou que a medida evita a expansão de despesas obrigatórias além do mandato presidencial. Segundo o governo, o argumento está alinhado à política fiscal em curso.

Com a decisão, a remuneração do Judiciário passa a incorporar novos patamares já definidos em lei. Os reajustes incidem de forma linear sobre toda a estrutura de carreiras, preservando diferenças internas entre cargos e níveis.

Novos salários dos cargos efetivos do Judiciário (a partir de 1º/07/2026):
Analista Judiciário: vencimentos básicos entre R$ 6.684, no início da carreira, e R$ 10.036, no topo da progressão.
Técnico Judiciário: salários variando de R$ 4.074 a R$ 6.117, conforme classe e padrão.
Auxiliar Judiciário: remuneração entre R$ 2.088 e R$ 3.622, mantendo-se como a base da estrutura salarial.

Salários do Judiciário e a estrutura das carreiras

A tabela sancionada mantém o modelo de progressão por classes e padrões, sem alterações na hierarquia funcional. Dessa forma, os salários do Judiciário continuam refletindo o tempo de serviço e a evolução na carreira, ainda que o reajuste tenha sido limitado a um único exercício.

Salários dos cargos em comissão e funções comissionadas:
Cargos em comissão (CJ): valores integrais entre R$ 11.870, no CJ-1, e R$ 18.813, no CJ-4, destinados a posições estratégicas de gestão.
Funções comissionadas (FC): adicionais pagos a servidores efetivos, com valores que variam de R$ 1.313, no FC-1, a R$ 3.957, no FC-6, conforme o nível da função exercida.

Debate fiscal e limites do reajuste no Judiciário

O veto às parcelas futuras transferiu o debate para o Congresso Nacional, que agora avalia se mantém ou derruba a decisão presidencial. Parlamentares favoráveis à recomposição integral defendem que a limitação do reajuste gera perda acumulada no poder de compra dos servidores ao longo dos próximos anos.

Por outro lado, a equipe econômica sustenta que a restrição reduz pressões permanentes sobre o orçamento público. Nesse contexto, os salários do Judiciário tornam-se um ponto de tensão entre controle de gastos e demandas do funcionalismo.

Ajustes na remuneração do Judiciário e próximos passos

O Congresso pode restabelecer o reajuste escalonado até 2028 caso derrube os vetos presidenciais, o que amplia o impacto fiscal da medida. Se mantiver os vetos, limitará a atualização a 2026 e empurrará nova negociação para o Legislativo. Esse desfecho definirá o rumo do debate sobre salários do Judiciário em um contexto de restrição orçamentária.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na cobertura editorial e analítica de economia e negócios, e colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo).

Mais lidas

Últimas notícias