O novo CEO da Hapvida assumirá o comando da companhia em 2026, mas a sucessão na Hapvida, nesse contexto, não encerra as dúvidas do mercado. A mudança ocorre após um ano de queda das ações, pressão operacional e perda de valor de mercado. Na segunda-feira (22/12), o conselho anunciou um plano de sucessão gradual em meio a questionamentos sobre custos assistenciais, geração de caixa e previsibilidade dos resultados.
O escolhido para o cargo foi o executivo Luccas Augusto Adib, atual vice-presidente de Finanças e Tecnologia. A transição será feita ao longo de 2026, com acompanhamento do conselho de administração e apoio da atual gestão. Adib assumirá o lugar de Jorge Pinheiro, filho do fundador da Hapvida, Cândido Pinheiro Koren de Lima, que está à frente da companhia desde 2001.
Luccas Augusto Adib está na companhia há seis anos. Tornou-se diretor financeiro em dezembro de 2023 e, desde abril de 2025, também responde pela área de tecnologia. No período, liderou ações de controle de custos, padronização de processos e uso de dados na gestão assistencial.
Sucessão na Hapvida: operação pressionada e perda de confiança do mercado
A chegada do novo CEO da Hapvida ocorre em um momento de forte deterioração do valor de mercado da companhia. Desde a fusão com a NotreDame Intermédica, concluída em 2021, quando a empresa chegou a ser avaliada em cerca de R$ 110 bilhões, a capitalização encolheu para algo próximo de R$ 8 bilhões. A perda reflete uma combinação de custos assistenciais persistentemente elevados, limitações no crescimento orgânico e deterioração da confiança dos investidores.
Esse quadro foi agravado após a divulgação do balanço do terceiro trimestre de 2025, que levou as ações a acumularem uma queda superior a 40% ao longo do mês de novembro, em meio à reação negativa do mercado aos resultados operacionais.
Derretimento das ações da Hapvida
O comportamento das ações ajuda a dimensionar a perda de confiança do mercado ao longo dos últimos anos. Desde 2020, a companhia acumulou uma desvalorização de 93,81% na Bolsa, um recuo incomum para uma empresa de capital intensivo e com presença nacional:
- Valor da ação dezembro de 2020: cerca de R$ 226,00
- Cotação (23/12 – 12h26): R$ 13,99
- Perda acumulada por ação: R$ 212,44
- Fonte: Google Finance
Na sucessão na Hapvida, os números ajudam a explicar por que o mercado segue cauteloso. Segundo relatório do BTG Pactual, o período concentrou fatores que pressionaram diretamente o desempenho operacional da companhia:
- Lucro líquido: R$ 337,7 milhões
- Resultado operacional: queda de 17,6%
- EBITDA: R$ 746,4 milhões, abaixo das projeções
- Sinistralidade médica: acima do esperado
- Fluxo de caixa operacional: negativo em R$ 52 milhões
- Capex: R$ 225 milhões
- Dívida líquida: R$ 4,2 bilhões
O que vem depois da sucessão do CEO da Hapvida
Os problemas que vêm após a sucessão na Hapvida estão concentrados em desafios operacionais e financeiros acumulados ao longo dos últimos anos. A companhia enfrenta custos assistenciais elevados, geração fraca de caixa e dificuldade de sustentar margens, fatores que explicam por que a troca de comando, por si só, não resolve a crise.
Assim, o novo CEO assume com a tarefa de reequilibrar o modelo operacional, reduzir o consumo assistencial e recuperar a confiança do mercado, hoje abalada pela deterioração dos resultados.
Sucessão na Hapvida e os ajustes na governança e na estrutura executiva
O plano de sucessão na Hapvida veio acompanhado de mudanças relevantes na estrutura interna. A reorganização, com a família controladora atuando apenas no Conselho de Administração, busca separar com mais clareza as funções de governança e gestão em um momento de maior cobrança por resultados.
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No comunicado, a companhia informou a saída de Alain Benvenuti da Vice-Presidência de Operações. Para o cargo, o conselho nomeou Cidéria Costa, executiva com trajetória nas áreas hospitalar e de medicina diagnóstica. Na Hapvida, ela liderou projetos de automação, centralização operacional e integração do diagnóstico com programas de prevenção, com foco em eficiência assistencial.
Liderança executiva e reconstrução da Hapvida
A chegada do novo CEO ocorre enquanto o mercado acompanha a republicação de balanços ligados ao Programa Desenrola pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A medida pode afetar lucros já divulgados e aprofundar a cautela dos investidores.
A sucessão na Hapvida, portanto, desloca o foco do anúncio para a execução. A troca de CEO é apenas o ponto de partida; o desafio central da companhia será entregar previsibilidade aos investidores e recuperar a confiança do mercado, em um setor pressionado por custos elevados, regulação rigorosa e menor tolerância a desvios de execução.
Segundo especialistas do setor, o contraste é claro: enquanto a Hapvida busca recuperar a confiança do mercado, operadoras como a Amil seguem crescendo financeiramente e ampliando sua base de usuários, segundo a ANS.











