O PMI da indústria brasileira encerrou dezembro abaixo da linha de expansão ao marcar 47,6 pontos, segundo dados divulgados indicando contração no fechamento de 2025. O indicador caiu frente aos 48,8 registrados em novembro e permaneceu distante do patamar de 50, que separa crescimento de retração. A leitura reforça um quadro de enfraquecimento disseminado da atividade manufatureira, com recuo simultâneo em produção e encomendas.
De acordo com a S&P Global, todos os cinco subcomponentes do índice contribuíram negativamente para o resultado do mês. A retração da demanda interna apareceu como o principal fator por trás da queda nas vendas, afetando diretamente o volume de novos pedidos. Como consequência, as empresas ajustaram o ritmo de produção industrial, que apresentou o recuo mais intenso desde setembro.
A diretora associada de economia da S&P Global Market Intelligence, Pollyanna De Lima, afirmou que a fraqueza da demanda limitou qualquer reação das encomendas. Segundo ela, mesmo com cortes nos preços de venda, os dados apontaram poucos sinais de recuperação no curto prazo. Essa leitura ajuda a explicar por que a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI, em inglês) industrial do Brasil segue refletindo um ambiente de cautela entre os fabricantes.
PMI da indústria brasileira e a dinâmica da atividade
No campo dos custos, a pesquisa mostrou uma segunda queda mensal consecutiva nos custos de insumos, com aceleração no ritmo de descontos. As empresas relataram reduções em energia, frete, alimentos, metais e plásticos, o que abriu espaço para novos ajustes nos preços ao produtor. Ainda assim, a redução dos preços, no ritmo mais forte desde julho de 2023, não foi suficiente para sustentar a demanda.
O mercado de trabalho industrial também sentiu os efeitos do cenário mais fraco. Após leve aumento em novembro, o emprego industrial voltou a cair em dezembro. As empresas reduziram quadros pela quarta vez em sete meses, citando controle de custos e capacidade ociosa como fatores determinantes.
Perspectivas para a indústria em 2026
Apesar do quadro atual, os fabricantes consultados projetam aumento da produção em 2026 frente aos níveis atuais. O otimismo está ligado à expectativa de melhora das condições de demanda, possível alívio da taxa de juros, além de investimentos em tecnologia e ganhos de produtividade. Nesse contexto, o PMI da indústria brasileira segue como termômetro central para avaliar se essas apostas se traduzirão em retomada consistente ao longo do próximo ano.











