O dólar hoje engatou nova queda no mercado doméstico e encerrou a sessão desta terça-feira (06/01) cotado a R$ 5,38. A moeda americana recuou 0,47% em um pregão marcado por liquidez reduzida e volume mais baixo de negócios, segundo dados do mercado à vista (USDBRL).
O movimento destoou do cenário externo. No fim da tarde, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, subia 0,30%, aos 98.567 pontos. Ainda assim, o real apresentou desempenho superior, sustentado por fatores internos.
Entre os principais vetores, o mercado destacou a valorização das commodities metálicas. Países exportadores desses produtos tendem a se beneficiar do aumento de preços, o que favorece suas moedas. No caso brasileiro, o minério de ferro encerrou as negociações no maior nível em cinco meses, com a tonelada cotada a 801 yuans, o equivalente a US$ 114,77.
Dólar hoje e o impacto da balança comercial
Além das commodities, o dólar hoje reagiu aos dados da balança comercial brasileira. O país encerrou 2025 com superávit de US$ 68,293 bilhões, o terceiro melhor resultado anual da série histórica. O saldo ficou acima da projeção oficial do governo, que estimava US$ 60,9 bilhões.
Segundo a economista Luíza Pinese, da XP, o resultado refletiu exportações fortes, embora parcialmente compensadas por volumes elevados de importações. Ainda de acordo com a analista, a queda dos preços do petróleo adiciona um viés mais cauteloso à projeção da casa para 2026, estimada em superávit de US$ 69 bilhões.
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgou projeção mais ampla para o próximo ano, com saldo comercial esperado entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões. Essa perspectiva contribuiu para a leitura positiva sobre o fluxo cambial.
Dólar hoje e a Venezuela no radar
No campo geopolítico, o dólar hoje também refletiu os desdobramentos da ação militar dos Estados Unidos na Venezuela. Durante coletiva, o vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin afirmou que um eventual aumento da produção e das exportações de petróleo venezuelanas dependeria de investimentos, não ocorrendo no curto prazo.
Alckmin destacou ainda que a Venezuela responde por cerca de 2% do PIB da América do Sul, o que limita sua relevância para o comércio exterior brasileiro. Por outro lado, o ministro ressaltou que as exportações de petróleo do Brasil tendem a crescer com o avanço da exploração do pré-sal.
Câmbio, commodities e expectativa externa
No fechamento, o dólar hoje refletiu uma combinação de fundamentos domésticos favoráveis e leitura cautelosa do cenário internacional. Enquanto o mercado aguarda a divulgação do relatório oficial de empregos dos Estados Unidos (payroll), prevista para sexta-feira (09/01), o real segue sensível ao comportamento das commodities e ao desempenho das contas externas, fatores que continuam a orientar o câmbio no curto prazo.











