A notícia de que Alfaparf Milano compra Coferly reposiciona o Brasil no mapa global da indústria cosmética. O grupo italiano, dono de marcas de coloração capilar como Yellow Professional e Alta Moda, anunciou a aquisição da fabricante paulista, especializada em produção para terceiros. O movimento amplia a presença industrial no país e reforça a estratégia de crescimento na América Latina.
Com a compra, o Brasil passa a concentrar cerca de um terço da produção global da Alfaparf. O grupo soma 11 fábricas próprias no mundo. A capacidade instalada local chega a até 300 milhões de itens por ano, segundo a companhia.
Fundada há 89 anos, a Coferly atua sem marcas próprias. A empresa fabrica produtos para marcas profissionais e de varejo no Brasil e no exterior. Esse modelo de negócio atraiu a Alfaparf, que busca escala industrial e flexibilidade produtiva. A incorporação permite atender diferentes mercados com maior rapidez e custos mais controlados.
A Alfaparf Milano compra Coferly em um momento de forte peso regional. A América Latina já responde por 35,8% da receita global do grupo italiano. O Brasil lidera como maior mercado consumidor da empresa. Com a nova estrutura, o país também ganha relevância como base de exportação para outros continentes.
Em 2024, a Alfaparf Milano faturou 464 milhões de euros, cerca de R$ 3 bilhões. A margem Ebitda ficou em 23%, indicador observado de perto pelo setor. Esses números ajudam a entender por que o grupo aposta em expansão produtiva.
Aquisição da Coferly pela Alfaparf reforça produção industrial no Brasil
A história do grupo italiano ajuda a contextualizar o movimento atual. A Alfaparf nasceu em 1980, a partir de uma ideia de Roberto Franchina, no norte da Itália. O foco inicial era desenvolver produtos para o canal profissional de cabeleireiros. Poucos anos depois, a empresa lançou a linha Semi di Lino, que abriu caminho para a expansão comercial.
Em 1990, veio a coloração permanente Evolution of the Color. A década marcou o início da internacionalização. Primeiro, com exportações para a Espanha e a América Latina. Depois, com filiais comerciais em países como Brasil, México, Argentina e Venezuela. A produção fora da Itália começou logo em seguida, incluindo fábricas no território brasileiro.
Esse histórico explica por que o Brasil ocupa posição central hoje. A compra da Coferly não é um passo isolado. Ela se conecta a uma estratégia de longo prazo, baseada em presença local e escala produtiva.











