A inflação na China atingiu em dezembro o patamar mais alto em quase três anos. O índice registrou alta anual de 0,8%, segundo dados divulgados na sexta-feira (09/01). Com isso, os números reforçam que o alívio nos preços segue desigual entre os setores da economia.
Antes disso, em novembro, a inflação havia avançado 0,7%. O resultado ficou em linha com as projeções do mercado. Ainda assim, permaneceu distante da meta oficial de cerca de 2%. Já na comparação mensal, os preços ao consumidor subiram 0,2%, após queda de 0,1% no mês anterior.
Inflação na China e a pressão concentrada nos alimentos
A aceleração recente da inflação na China teve origem quase exclusiva nos alimentos. Em dezembro, os preços dos vegetais frescos avançaram 18,2% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Ao mesmo tempo, a carne bovina registrou alta de 6,9%, conforme o Escritório Nacional de Estatísticas.
As compras antes do Ano Novo Lunar elevaram a demanda. Além disso, políticas de apoio ao consumo também influenciaram os preços. Mesmo assim, os dados indicam que a alta não se espalhou pela cesta de consumo, o que limitou o impacto sobre a inflação geral.
Inflação na China convive com deflação industrial prolongada
Enquanto os consumidores enfrentam preços mais elevados, a indústria segue pressionada. Em dezembro, o índice de preços ao produtor (PPI) caiu 1,9% na comparação anual. Com isso, o indicador permaneceu em território negativo por mais de três anos consecutivos.
Ainda assim, a queda perdeu intensidade em relação a novembro, quando o recuo foi de 2,2%. Esse desempenho refletiu a alta dos preços globais de commodities, sobretudo de metais não ferrosos, além das políticas de controle de capacidade produtiva. No acumulado de 2025, os preços ao produtor recuaram 2,6%, reforçando o cenário de deflação industrial.
Preços ao consumidor na China e espaço para política monetária
Para analistas, o comportamento da inflação na China mantém aberto o espaço para estímulos. Lynn Song, economista-chefe do ING para a Grande China, afirma que o nível de preços segue baixo. Por isso, não deve impedir um novo afrouxamento monetário ao longo do ano.
Essa leitura ganha força diante da demanda interna fraca e da crise imobiliária prolongada. Além disso, os riscos externos aumentam a cautela, especialmente com a guerra comercial liderada pelos Estados Unidos. Mesmo com crescimento próximo da meta de cerca de 5% para 2025, sustentado por estímulos e exportações de bens, a expansão segue apoiada em bases desiguais.
No conjunto, a inflação na China expõe um desafio estrutural. O país precisa estimular o consumo. Ao mesmo tempo, deve evitar desequilíbrios amplos, em um ambiente de confiança limitada e pressão deflacionária persistente na indústria.











