No próximo sábado (17/01), o acordo Mercosul União Europeia deve ser assinado em Assunção, capital do Paraguai, elevando para 31,2% a fatia do comércio brasileiro com tarifas zero ou reduzidas. O dado, calculado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), parte da soma de três tratados recentes do bloco sul-americano e reposiciona o Brasil em termos de preferências tarifárias.
Hoje, cerca de US$ 78 bilhões das exportações e importações do país contam com algum tipo de acesso preferencial. Incluindo o comércio intrabloco e acordos com países da América do Sul, além de Israel e Egito. Com a entrada em vigor dos novos tratados, outros US$ 118,7 bilhões passam a operar com tarifas reduzidas, levando o total a US$ 196,4 bilhões. Sendo esse quase um terço da corrente de comércio registrada em 2025.
Acordo Mercosul União Europeia e a expansão do acesso preferencial
O tratado Mercosul-UE concentra a maior parte do volume adicional, dado o peso econômico do bloco europeu e a abrangência do pacto. Segundo o MDIC, a ampliação do acesso preferencial altera a relação do Brasil com mercados internacionais, ao reduzir custos de entrada e ampliar previsibilidade para empresas exportadoras e importadoras.
Além disso, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, afirmou à mídia que o avanço “fortalece a inserção internacional do Brasil e abre novas oportunidades para as empresas brasileiras”. De acordo com ele, o salto representa aumento de cerca de duas vezes e meia no comércio coberto por preferências em um intervalo curto. Portanto, com reflexos sobre competitividade, investimentos e empregos.
Acordo Mercosul União Europeia no contexto dos demais tratados
Além do pacto com a Europa, o Mercosul concluiu acordo com a EFTA (formada por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein) em setembro de 2025. Já o entendimento com Cingapura, assinado em dezembro de 2023, ainda passa por revisão jurídica e não foi enviado ao Congresso Nacional.
A soma desses tratados amplia o alcance do acesso preferencial brasileiro, combinando diferentes perfis de mercado e reduzindo a dependência de poucos parceiros. Para o governo, a estratégia busca alinhar o país às cadeias globais de valor por meio de acordos comerciais mais amplos e previsíveis.
Entendimento comercial e próximos passos
Embora a assinatura do pacto europeu tenha peso político, os efeitos econômicos dependem da ratificação interna e da implementação das listas de liberalização. Ainda assim, o pacto com a União Europeia altera o patamar do comércio brasileiro ao consolidar um volume expressivo sob tarifas menores. Nesse cenário, o acordo Mercosul União Europeia funciona como vetor de reorganização das trocas externas. Com impacto direto sobre a estratégia de inserção do país no comércio global.



