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Impacto do acordo UE-Mercosul começa a redesenhar preços e produção no Brasil

O impacto do acordo UE-Mercosul deve atingir preços, indústria e agronegócio no Brasil, com efeitos graduais no consumo, nas exportações e na estrutura produtiva.
Impacto do acordo UE-Mercosul no comércio e nos preços no Brasil
Impacto do acordo UE-Mercosul deve alterar preços, produção e comércio brasileiro. Imagem: Canva

O impacto do acordo UE-Mercosul passa a ser mensurado a partir de segunda-feira (12/01), quando o tratado entra na fase final após mais de 25 anos de negociações, com efeitos previstos sobre preços, produção e comércio exterior no Brasil.

O acordo integra União Europeia e Mercosul em um mercado de 720 milhões de consumidores, equivalente a cerca de 25% do PIB global. Segundo estimativas do Ipea, a economia brasileira pode registrar alta acumulada de 0,46% do PIB até 2040, desempenho superior ao de outros países do bloco sul-americano.

Entre os efeitos mais perceptíveis dos efeitos do acordo UE-Mercosul, está a ampliação da oferta de produtos europeus no mercado doméstico. Vinhos, queijos, lácteos, azeites e chocolates tendem a ganhar espaço à medida que as tarifas alfandegárias são reduzidas, o que pressiona preços ao longo do tempo, conforme avaliação de especialistas.

Impacto do acordo UE-Mercosul no consumo e nos preços

No caso dos bens duráveis, o ajuste ocorre de forma mais lenta. Automóveis importados da Europa, hoje taxados em 35%, terão a alíquota zerada gradualmente em até 15 anos. Ainda assim, a dependência da cadeia produtiva global, que envolve insumos asiáticos, limita efeitos imediatos sobre preços finais.

Os medicamentos e produtos farmacêuticos já ocupam posição relevante nas importações brasileiras oriundas da UE, respondendo por mais de 8% do total, segundo o MDIC. A eliminação tarifária tende a reduzir custos e ampliar a concorrência, com reflexos diretos para o consumidor e para o setor de saúde.

Impacto do acordo UE-Mercosul na indústria e no agronegócio

Na produção, o impactos do tratado UE-Mercosul alcançam o campo e as fábricas. Máquinas, tratores, fertilizantes e tecnologias ligadas à agricultura de precisão devem chegar a custos menores, favorecendo o agronegócio e ampliando investimentos em eficiência.

A indústria também se beneficia do acesso facilitado a equipamentos e bens manufaturados europeus, o que reduz o custo de capital e estimula projetos com maior valor agregado. Esse redesenho tende a influenciar o emprego industrial, sobretudo em setores voltados à exportação.

Consequências do acordo UE-Mercosul para exportações e oferta interna

Pelo lado externo, o Brasil amplia espaço para exportações de calçados, frutas e produtos agrícolas. As vendas ao bloco europeu somaram US$ 49,8 bilhões no último ano, enquanto a UE exportou US$ 50,3 bilhões ao Brasil. A ApexBrasil estima potencial adicional de R$ 7 bilhões com o tratado.

Especialistas avaliam que o impacto do acordo UE-Mercosul sobre a inflação interna tende a ser limitado, mesmo com maior direcionamento da produção ao exterior. A leitura predominante é que a diversificação de mercados e a escala produtiva reduzem riscos de pressão relevante sobre preços domésticos, consolidando o acordo como um vetor de ajuste gradual da economia brasileira.

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