Agro e indústria concentram ganhos no acordo Mercosul-UE

Agro e indústria aparecem como os principais beneficiados do acordo Mercosul-UE, com ganhos graduais, limites regulatórios e impacto direto no comércio e nos investimentos.
Agro e indústria no acordo Mercosul-UE
Agro e indústria concentram os principais ganhos previstos no acordo Mercosul-UE. Imagem: Canva

Na última sexta-feira (09/01), agro e indústria passaram a concentrar as avaliações mais favoráveis após a aprovação política do acordo entre Mercosul e União Europeia. A leitura de especialistas aponta ganhos estruturais para exportadores brasileiros, ainda que condicionados a salvaguardas europeias e a um calendário de implementação prolongado.

O tratado encerra um processo de negociação iniciado há 26 anos e destravado no Conselho Europeu após a formação de maioria qualificada. A etapa seguinte envolve a ratificação interna dos países. No Brasil, o texto seguirá para análise jurídica e apreciação do Congresso Nacional, enquanto, na União Europeia, a tramitação pode ocorrer apenas no Parlamento Europeu, restrita à parte comercial.

No campo do agronegócio e indústria, o potencial de ganhos aparece de forma desigual. Analistas apontam que o agro brasileiro entra no acordo com vantagem competitiva, sobretudo em soja, café, carnes, pescados e celulose. No entanto, a União Europeia estruturou mecanismos de salvaguarda para limitar volumes importados, em resposta à pressão de produtores locais, com destaque para a França.

Essas travas fazem com que os efeitos práticos do acordo sejam diluídos no tempo. As reduções tarifárias previstas são graduais e, segundo especialistas, os reflexos mais amplos tendem a surgir apenas a partir da próxima década. Ainda assim, existe a possibilidade de implementação bilateral entre Brasil e União Europeia antes da ratificação por todos os membros do Mercosul, o que pode antecipar parte dos benefícios.

Agro e indústria no comércio bilateral

Os dados de comércio exterior reforçam o peso estratégico do acordo. Em 2024, a União Europeia absorveu US$ 48,2 bilhões das exportações brasileiras, equivalente a 14,3% do total. Mais de um terço desse fluxo já é composto por produtos da indústria de transformação, fator que sustenta a expectativa de expansão do setor manufatureiro.

Para o setor agrícola e industrial, o acordo também dialoga com a modernização produtiva. A indústria brasileira tende a ampliar a importação de máquinas, equipamentos e tecnologias europeias, em um contexto de renovação do parque fabril. Esse fluxo inclui soluções aplicadas à agricultura de precisão, capazes de elevar a produtividade em larga escala.

Entidades empresariais avaliam que o tratado amplia a previsibilidade regulatória e reduz barreiras comerciais, o que favorece decisões de investimento. Estimativas da ApexBrasil indicam que as exportações brasileiras podem crescer cerca de US$ 7 bilhões com a entrada em vigor do acordo, além de diversificar a pauta exportadora.

Agronegócio e indústria no médio prazo

No horizonte analítico, agro e indústria devem sentir os efeitos do acordo de forma progressiva e assimétrica. Enquanto o agronegócio enfrenta limites impostos por salvaguardas, a indústria tende a se beneficiar da integração com cadeias europeias de maior valor agregado. A consolidação desse cenário dependerá do ritmo das ratificações e da aplicação efetiva das regras negociadas.

Foto de Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino é jornalista formada pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção jornalística e em conteúdos analíticos sobre negócios, investimentos e tecnologia aplicada às empresas, além de experiência em coberturas digitais e projetos editoriais.

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