Nesta segunda-feira (12/01), mercados vendem ativos americanos após a investigação do governo Donald Trump contra o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, reacendendo dúvidas institucionais em Wall Street. A reação inicial surgiu nos contratos futuros, ainda na noite de domingo, atingindo simultaneamente ações, títulos e o dólar.
Apesar do recuo da tensão ao longo da manhã, o comportamento combinado dos ativos chamou atenção dos investidores. O Dow Jones encerrou o pregão com queda de 90 pontos, enquanto o S&P 500 ficou estável. Já o Nasdaq avançou 0,2%, sustentado por ações de tecnologia, o que limitou perdas mais amplas.
No mercado de câmbio, o dólar perdeu força frente a moedas fortes. O índice DXY recuou 0,3%, refletindo cautela com a condução da política monetária americana. Ao mesmo tempo, gestores reduziram exposição a ativos americanos, em meio ao aumento da incerteza institucional.
Na renda fixa, os títulos do Tesouro também sofreram ajustes. O rendimento do Treasury de 10 anos subiu para perto de 4,2%, próximo da máxima de um mês. Para analistas, esse comportamento indica que a pressão política pode elevar o custo de financiamento, em vez de acelerar cortes de juros.
Reação dos mercados e ajuste de risco em Wall Street
O ambiente de incerteza elevou os indicadores de risco. O índice VIX avançou 5%, sinalizando maior cautela entre investidores institucionais. Em paralelo, cresceu a busca por proteção em ativos fora do sistema financeiro tradicional.
O ouro subiu 3,1%, superando US$ 4.600 por onça troy e renovando recordes históricos. A prata teve alta ainda mais intensa, de 8,5%. A preferência por metais preciosos, ativos tangíveis e proteção cambial ganhou espaço nas carteiras globais.
Segundo Karl Schamotta, estrategista-chefe da Corpay, a erosão da confiança na independência do banco central tende a pressionar o dólar e elevar os rendimentos de longo prazo. Para ele, esse efeito amplia a volatilidade do mercado global e contraria objetivos do governo.
Mercados vendem ativos americanos em meio à pressão sobre o Fed
A leitura também aparece nas avaliações da Evercore ISI. Krishna Guha classificou o episódio como uma clara aversão ao risco, ainda que em intensidade moderada. Segundo o analista, o mercado passou a reagir menos à retórica e mais a ações concretas contra o Fed.
O cenário remete à primavera de 2025, quando mercados vendem ativos americanos diante do temor provocado pela política comercial de Trump. Naquele período, ações, títulos e dólar recuaram juntos, antes de uma recuperação parcial após recuos estratégicos do governo.
Venda de ativos dos EUA e busca por proteção institucional
Apesar da reação contida, o foco segue na independência do Fed, vista como pilar da estabilidade financeira dos Estados Unidos. Powell tem quatro meses restantes no cargo, e não há ameaça imediata de destituição, fator que limita uma liquidação mais profunda.
Ainda assim, enquanto mercados vendem ativos americanos, cresce o chamado comércio de desvalorização. Investidores priorizam ouro e prata, livres do risco político, sinalizando cautela prolongada caso novas ações reforcem dúvidas sobre a política monetária ao longo de 2026.











