As ações da Adidas caem após um relatório do Bank of America (BofA) reacender o debate sobre o fôlego do mercado global de tênis. Na terça-feira (13/01), os papéis da companhia alemã chegaram a recuar 7,6% intradiário, em reação direta à revisão negativa do banco, antes de reduzir parte das perdas até o fim da semana.
O gatilho foi uma análise extensa do BofA que questiona a capacidade de crescimento das grandes marcas esportivas após quase duas décadas de expansão contínua. Segundo o banco, o setor viveu um ciclo de alta prolongado, impulsionado pela troca gradual de sapatos sociais por tênis em ambientes antes considerados formais, tendência que ganhou força durante a pandemia.
Ações da Adidas caem e a leitura do mercado financeiro
O processo estrutural de ampliação do uso de tênis estaria próximo do limite. Por isso, o BofA promoveu uma rara dupla revisão negativa da Adidas, retirando a recomendação de compra e classificando o papel entre os menos atraentes do setor no momento.
Como resultado, a queda das ações da Adidas refletiu não apenas o corte de recomendação, mas também a projeção de um ritmo mais lento para o crescimento do setor de artigos esportivos. O banco estima que, após uma média próxima de 9% ao ano desde 2007, a expansão futura possa se limitar a algo entre 4% e 5%.
Esse ajuste ocorre em um contexto já desafiador para as fabricantes. Desde a pandemia, empresas como Adidas e Nike enfrentam dificuldades para acompanhar mudanças de preferência do consumidor, além de vendas mais fracas na China e incertezas ligadas a tarifas nos Estados Unidos.
Ações da Adidas caem, mas consumo segue forte nos EUA
Apesar da reação negativa do mercado financeiro, dados de consumo contam outra história. De acordo com a Circana, os tênis já representam cerca de 60% das vendas de calçados nos Estados Unidos. Além disso, a categoria cresceu 4% no último ano até novembro, enquanto os calçados de moda recuaram 3%.
O conforto associado aos tênis está ligado a valores como saúde e bem-estar, que permanecem relevantes para o consumidor. Essa visão contrasta com a tese de esgotamento do crescimento defendida pelo BofA e ajuda a explicar a divergência entre investidores e indicadores de varejo.
Há também sinais de adaptação do produto. Modelos híbridos, que misturam características de tênis e sapatos sociais, ganharam espaço. Em 2025, o item mais negociado da categoria de mocassins na StockX foi o New Balance 1906L, um exemplo claro dessa convergência.
Queda das ações da Adidas e o cenário adiante
Para a Bloomberg Intelligence, o setor não perdeu espaço, mas passou por um ajuste após o pico excepcional da pandemia. Segundo Poonam Goyal, o vestuário casual se estabilizou, com guarda-roupas mais equilibrados. Nesse ambiente, as ações da Adidas caem como reflexo de expectativas mais contidas, enquanto o mercado tenta distinguir entre um ajuste temporário e um novo padrão de crescimento.











