O capital da Azul poderá alcançar até R$ 15,7 bilhões após a conversão de bônus de subscrição prevista no plano de recuperação judicial, conforme fato relevante divulgado na terça-feira (13). A operação envolve volumes altos de novas ações e altera de forma profunda a estrutura societária da companhia aérea.
Fundada em 2008 por David Neeleman, a Azul Linhas Aéreas Brasileiras iniciou suas operações com a proposta de ampliar a conectividade regional no país. Desde então, a empresa construiu uma malha focada em cidades médias, consolidou hubs estratégicos e cresceu por meio de frota diversificada, tornando-se uma das maiores do setor no Brasil.
No comunicado mais recente, investidores manifestaram intenção de exercer 6,198 bilhões de bônus de subscrição de ações preferenciais. Com isso, a companhia estima a emissão de até 96,3 bilhões de novas ações dessa classe, como parte do esforço de capitalização dentro da reestruturação financeira.
Capital da Azul e a mecânica dos bônus de subscrição
Além desse primeiro bloco, a empresa informou ter recebido pedidos de exercício envolvendo 445,47 bilhões de bônus de subscrição de ações preferenciais. Esses pedidos deverão resultar na emissão aproximada de 6,92 bilhões de novos papéis preferenciais, ampliando de forma relevante a base acionária.
Em paralelo, foram registrados pedidos relativos a 450,2 bilhões de bônus vinculados a ações ordinárias. Essa etapa exigirá a emissão estimada de 10,39 trilhões de novas ações ordinárias, um volume que evidencia a escala do ajuste societário em curso.
A trajetória da Azul ajuda a contextualizar esse processo. Após abrir capital em 2017 e expandir operações internacionais, a companhia enfrentou choques severos no período da pandemia, além de pressão de custos financeiros e cambiais nos anos seguintes. O atual redesenho do capital surge como resposta a esse histórico recente.
Capital da Azul após conversão obrigatória de ações
Com a conversão obrigatória de ações preferenciais em ordinárias, aprovada na segunda-feira, a estrutura final poderá concentrar até 591,9 trilhões de ações ordinárias. Esse novo desenho redefine a composição acionária e amplia de forma substancial o número de papéis em circulação.
A empresa informou que o aumento de capital será homologado em reunião do conselho de administração marcada para quarta-feira (14). A deliberação formaliza uma das etapas centrais do plano apresentado aos credores no âmbito da recuperação judicial.
Estrutura acionária da Azul e leitura do mercado
A reorganização do capital social ocorre em um momento em que o setor aéreo segue pressionado por juros elevados e necessidade de reorganização de passivos. Nesse contexto, a atual estrutura acionária da Azul reflete a escolha por uma capitalização ampla, ainda que acompanhada de forte diluição.
Do ponto de vista do mercado, a efetivação desse novo capital da Azul tende a influenciar a avaliação dos investidores sobre a capacidade da companhia de sustentar operações e honrar compromissos no médio prazo, à luz de sua própria história de expansão e ajustes.











