A estratégia dos créditos de carbono da Microsoft ganhou nova escala com a compra de 2,85 milhões de créditos agrícolas da americana Indigo, em um contrato estruturado para execução ao longo de 12 anos. O volume coloca a empresa entre os maiores compradores corporativos de remoção de carbono baseada na natureza, ao mesmo tempo em que reforça padrões mais rígidos de permanência ambiental.
O acordo amplia uma relação comercial já existente entre as companhias. Em anos recentes, a Microsoft havia adquirido volumes menores da Indigo, mas agora opta por um contrato de longo prazo, alinhado à sua política de neutralização das emissões associadas à operação global de data centers e serviços digitais.
Créditos de carbono da Microsoft e a escala agrícola
A Indigo atua conectando produtores rurais a grandes compradores no mercado voluntário de carbono, por meio da adoção de agricultura regenerativa, prática que estimula a captura de carbono no solo. Atualmente, a empresa trabalha com agricultores distribuídos em 3,24 milhões de hectares e já repassou cerca de US$ 40 milhões aos participantes de seus programas.
Esse modelo transforma práticas agrícolas em ativos ambientais, integrando o agronegócio, a cadeia de suprimentos e as metas corporativas de descarbonização. No Brasil, a Indigo mantém o programa Source, que conecta indústrias interessadas em compensação climática a produtores locais.
Além da escala, o contrato inclui exigências para reduzir o risco de reversão do carbono capturado. O protocolo da Indigo já impõe garantia de 100 anos de retenção no solo, mas o acordo com a Microsoft adiciona camadas extras de monitoramento, modelagem climática e mecanismos de compensação ao longo de 40 anos.
Créditos de carbono e integridade ambiental da Microsoft
Os créditos negociados seguem o protocolo de enriquecimento do solo, certificado pela Climate Action Reserve (CAR). Até agora, a Indigo já emitiu 927.296 créditos entre remoção e redução, utilizando metodologias reconhecidas no setor.
A venda também inclui créditos aprovados pelo Conselho de Integridade para o Mercado Voluntário de Carbono (ICVCM), conforme os Core Carbon Principles, referência internacional para elevar a qualidade ambiental e a transparência dessas operações. Esse desenho responde a uma demanda crescente de investidores e reguladores por maior rigor nos critérios ESG.
Segundo Phillip Goodman, diretor de Remoção de Carbono da Microsoft, a companhia avalia positivamente a combinação entre créditos verificados, pagamentos diretos aos produtores e o avanço da ciência do carbono do solo, apoiada por parcerias acadêmicas e tecnologia aplicada.
Aquisição corporativa de créditos de carbono
Nos últimos doze meses, a Microsoft intensificou compras de soluções baseadas na natureza. Em dezembro, adquiriu 28,5 mil toneladas de créditos da alemã InPlanet, enquanto, em janeiro de 2025, fechou a compra de 3,5 milhões de créditos da brasileira re.green, voltados à restauração florestal.
Esse conjunto de operações mostra que os a compra de créditos de carbono deixaram de ser ações pontuais e passaram a integrar uma estratégia estruturada da Microsoft. Ao diversificar fornecedores e metodologias, a empresa sinaliza ao mercado que a disputa agora não é apenas por volume, mas por integridade ambiental, rastreabilidade e contratos de longo prazo capazes de sustentar metas climáticas corporativas.











