Prévia do PIB, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de novembro registrou queda de 0,27% na comparação mensal dessazonalizada, conforme dados divulgados pelo BC nesta sexta-feira (16/01), interrompendo a sequência recente de avanços no curto prazo. Ainda assim, o indicador manteve crescimento de 2,39% no acumulado de 12 meses, sinalizando que a atividade econômica brasileira encerrou o fim de 2025 em patamar superior ao do ano anterior.
Apesar do recuo pontual, o resultado mensal não altera, por si só, a leitura mais ampla do ciclo econômico. Isso porque, no trimestre encerrado em novembro, o índice avançou 1,90%, sugerindo que a desaceleração observada no dado mais recente ocorreu de forma localizada e sem espalhamento imediato para o conjunto da economia.
IBC-Br de novembro e a leitura do curto prazo
A queda mensal do IBC-Br de novembro reforça o caráter volátil dos indicadores de atividade no encerramento do ano. Fatores como ajustes sazonais, menor número de dias úteis e oscilações setoriais costumam afetar a leitura mensal, o que exige cautela na interpretação isolada do dado.
Nesse contexto, o comportamento trimestral ganha relevância analítica. A expansão acumulada no período indica que a atividade econômica brasileira manteve tração no segundo semestre, mesmo diante de um ambiente de crédito mais restritivo e de custos financeiros elevados.
- Variação mensal dessazonalizada: -0,27%, indicando perda pontual de ritmo no curto prazo.
- Resultado trimestral: alta de 1,90%, apontando crescimento consistente além do mês isolado.
- Acumulado em 12 meses: avanço de 2,39%, acima do observado no núcleo urbano da economia.
Composição setorial do crescimento econômico
A análise setorial mostra que o desempenho do IBC-Br de novembro permaneceu concentrado em segmentos específicos. A agropecuária liderou o crescimento anual, com alta de 13,20% em 12 meses, enquanto serviços avançaram 2,02% e a indústria, 1,24% no mesmo período.
Quando se exclui o setor agropecuário, o crescimento do indicador cai para 1,71%. Portanto, evidenciando um ritmo mais moderado da economia ligada ao consumo e à produção industrial. Além disso, a rubrica de impostos cresceu 1,17%, abaixo da média do índice geral.
- Agropecuária: principal vetor do crescimento anual.
- Serviços: expansão moderada, alinhada à perda gradual de fôlego da demanda.
- Indústria: avanço contido, refletindo custos financeiros e ajustes produtivos.
Indicador antecedente do PIB e próximos sinais
O índice de atividade econômica de novembro, utilizado como proxy do Produto Interno Bruto (PIB), segue apontando uma economia em expansão, porém com desempenho desigual entre setores. A leitura combinada dos dados, portanto, sugere que o crescimento recente dependeu mais do campo do que da dinâmica urbana.
À frente, a atenção do mercado se volta para a capacidade dos setores de serviços e indústria sustentarem ganhos sem o apoio excepcional da agropecuária. Nesse cenário, o IBC-Br de novembro reforça a percepção de um crescimento mais seletivo. Que, nesse contexto, exige leitura cuidadosa dos próximos indicadores para avaliar a consistência da atividade ao longo de 2026.











