A expansão da Engie ganhou novo impulso com o financiamento de um parque solar de 1,5 gigawatt em Abu Dhabi, o maior projeto do portfólio global da companhia francesa. A iniciativa reforça a aposta da empresa no Oriente Médio, região que concentra projetos em escala superior aos mercados tradicionais.
Previsto para entrar em operação comercial em 2028, o parque solar de Khazna fornecerá eletricidade para cerca de 160 mil residências nos Emirados Árabes Unidos. A energia será comercializada por meio de um contrato de compra de longo prazo, com duração de 30 anos, firmado com a Emirates Water and Electricity Company.
Expansão da Engie e escala regional
A conclusão do financiamento indica que todos os acordos estruturantes do projeto foram formalizados, permitindo o início da execução. Para a Engie, projetos dessa dimensão oferecem previsibilidade de receita e melhor aproveitamento de capital em mercados com forte demanda elétrica.
Segundo Niko Cornelis, gerente da Engie para o Conselho de Cooperação do Golfo, a região ocupa posição central na estratégia da companhia. Ele afirmou que o tamanho dos empreendimentos e a necessidade crescente por eletricidade sustentam a decisão de priorizar o Oriente Médio no plano de crescimento renovável.
Além dos Emirados, a empresa participa de licitações na Arábia Saudita, onde os projetos solares variam entre 0,5 e 2 gigawatts. Esses volumes superam, com folga, o padrão médio das concorrências solares europeias, hoje mais fragmentadas.
Estratégia energética integrada
A presença da Engie no Golfo vai além das fontes renováveis. A companhia opera cerca de 25 gigawatts em usinas movidas a gás natural na região, além de redes de resfriamento urbano e plantas de dessalinização com produção diária de cinco milhões de metros cúbicos de água.
Essa combinação cria sinergias operacionais e reforça a expansão da Engie em mercados onde energia, água e infraestrutura caminham de forma integrada. A disponibilidade de terra e alta incidência solar também aceleram a viabilidade técnica dos projetos.
Expansão da Engie em contraste global
Enquanto amplia investimentos no Oriente Médio, a empresa enfrenta um ambiente mais restritivo em outros mercados. Nos Estados Unidos, dois projetos eólicos offshore em fase inicial foram congelados, em meio à paralisação do setor sob a gestão do presidente Donald Trump.
Esse contraste ajuda a explicar o redirecionamento estratégico da companhia. A expansão da Engie passa a priorizar regiões com maior previsibilidade regulatória, contratos de longo prazo e projetos em grande escala, fatores que sustentam sua meta de atingir 95 gigawatts de capacidade renovável instalada até 2030.











