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Projeção do FMI para o Brasil muda e expõe efeito dos juros

A projeção do FMI para o Brasil foi revisada para 2026, refletindo os efeitos dos juros altos. O relatório também traz ajustes para 2025 e 2027 e compara o país ao cenário global.
Projeção do FMI para o Brasil em relatório econômico
Relatório do FMI revisa expectativas para a economia brasileira. Imagem: Canva

A projeção do FMI para o Brasil foi ajustada no relatório Perspectiva Econômica Global divulgado nesta segunda-feira (19/01). O documento reflete os efeitos acumulados da política monetária usada para conter a inflação. O Fundo Monetário Internacional reduziu a estimativa de crescimento para 2026 e, ao mesmo tempo, elevou levemente as projeções para 2025 e 2027.

O organismo internacional estima que a economia brasileira cresça 2,5% em 2025, acima dos 2,4% previstos anteriormente. Para 2027, o FMI passou a projetar expansão de 2,3%, alta de 0,1 ponto percentual. Já o corte na estimativa de 2026 decorre, segundo as autoridades do Fundo, do impacto prolongado dos juros elevados adotados no ano passado.

Política monetária e projeção do FMI

Na avaliação do Fundo, a política monetária restritiva conteve as pressões inflacionárias. No entanto, ela reduziu o ritmo da atividade econômica. Os efeitos defasados dos juros altos ainda persistem e seguem limitando o consumo e o investimento privado ao longo do período analisado.

O FMI observa que economias emergentes, como o Brasil, sentem por mais tempo o aperto financeiro. Nesse contexto, a combinação de crédito caro, maior cautela das empresas e ajuste das famílias ajuda a explicar a revisão negativa para 2026.

Comparação com o cenário global

Enquanto a projeção do FMI para o Brasil sofreu ajuste, o cenário internacional ganhou força. O Fundo passou a estimar crescimento de 3,3% para o PIB global em 2026. O número representa alta de 0,2 ponto percentual em relação ao relatório de outubro.

Segundo o FMI, esse desempenho reflete, entre outros fatores, a difusão de tecnologias ligadas à inteligência artificial. Essas inovações elevam a produtividade, sobretudo nas economias avançadas, e sustentam um ritmo mais forte de expansão global.

Esse contraste reforça a leitura de que o Brasil deve crescer abaixo da média mundial no curto prazo. Analistas avaliam que a normalização mais lenta das condições financeiras domésticas limita a capacidade do país de acompanhar o avanço externo, mesmo em um ambiente internacional mais favorável.

Leitura prospectiva da projeção do FMI para o Brasil

A projeção do FMI para o Brasil aponta para um ciclo de transição. A desaceleração causada pelos juros começa, gradualmente, a abrir espaço para estabilização. O próprio Fundo destaca que novas revisões dependerão da trajetória da inflação, das decisões de política monetária e do ambiente fiscal.

Para economistas, o relatório deixa um recado claro. O avanço mais consistente da economia segue condicionado à redução sustentável do custo do dinheiro. Nesse cenário, a projeção do FMI para o Brasil funciona como um termômetro das escolhas macroeconômicas e de seus efeitos sobre o crescimento potencial.

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