O Data Center do Pecém concentrou o principal anúncio estratégico da primeira reunião da Diretoria Plena da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) em 2026, ao reunir investimentos iniciais de R$ 12 bilhões e projetar um ciclo que pode superar R$ 200 bilhões nas fases aprovadas.
O encontro ocorreu na segunda-feira (19/01), na Casa da Indústria, e marcou a abertura da agenda institucional do ano sob foco em transições regulatórias, tecnológicas e econômicas. A FIEC apresentou o projeto como eixo estruturante para ampliar a inserção do Ceará nas cadeias globais de tecnologia e dados.
Data Center do Pecém e a estratégia industrial
Segundo a FIEC, a indústria responde por cerca de um quarto dos empregos formais do Ceará, o que sustenta a defesa de políticas voltadas à atração de capital intensivo. Nesse contexto, o Data Center do Pecém surge como ativo alinhado a energia renovável, conectividade internacional e capital humano qualificado.
O empreendimento será instalado na Zona de Processamento de Exportação do Ceará (ZPE Ceará) e integra a estratégia estadual de consolidação da economia do conhecimento. O projeto prevê, além da infraestrutura digital, R$ 3,7 bilhões adicionais em novos parques solares e eólicos, assegurando uso exclusivo de energia renovável.
Infraestrutura digital e capital intensivo
A primeira fase do complexo está estimada em cerca de R$ 50 bilhões e já possui cliente contratado. A Baidu, controladora do TikTok, ocupará a etapa inicial do data center, estruturado no modelo build to suit, com instalações desenvolvidas conforme a demanda do contratante.
Serão dois prédios com capacidade total de 200 MW de TI, volume equivalente à capacidade atualmente instalada no Brasil. Esse porte posiciona o projeto como o maior do país e um dos principais da América Latina no segmento de infraestrutura de dados.
Data Center do Pecém e efeitos na cadeia local
Durante a fase de construção, a expectativa é de cerca de 3,8 mil empregos diretos no pico das obras. Na operação, o complexo deve manter aproximadamente 500 postos diretos, além de efeitos indiretos sobre serviços, logística e fornecedores industriais.
A política de compras locais será acompanhada pelo Observatório da Indústria Ceará, com foco em ampliar a participação de empresas cearenses na cadeia do projeto. A estrutura inclui ainda subestação de alta tensão e expansão das rotas de cabos submarinos do Complexo do Pecém.
Sustentabilidade, governança e próximos passos
O projeto adota sistema de resfriamento fechado e consome cerca de três mil litros de água por dia na primeira fase. A operação seguirá protocolos socioambientais globais e monitoramento contínuo.
Ao encerrar o encontro, a FIEC vinculou o Data Center do Pecém a uma estratégia mais ampla de modernização industrial, qualificação profissional via SENAI e articulação com o sistema financeiro, em um cenário no qual infraestrutura digital passa a integrar decisões centrais de competitividade empresarial.



