A defasagem da tabela do IR foi estimada em 157,22% em 2025. Com isso, a tributação seguiu pressionando as rendas intermediárias, mesmo após a ampliação da faixa de isenção. O cálculo foi feito pelo Sindicato dos Auditores-Fiscais da Receita Federal (Sindifisco Nacional) e levou em conta a inflação acumulada desde 1996, quando o reajuste automático do Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) foi encerrado.
De acordo com o estudo, a inflação oficial de 2025, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), foi de 4,26%. Como resultado, o descompasso aumentou em relação a 2024, quando a defasagem era de 154,49%. Assim, rendimentos corrigidos apenas pelo custo de vida passaram a ser enquadrados em alíquotas mais elevadas. Dessa forma, a arrecadação foi ampliada sem qualquer mudança formal na legislação.
Efeitos da defasagem sobre salários
Caso a tabela tivesse sido totalmente corrigida pela inflação, o Imposto de Renda seria pago apenas por contribuintes com renda mensal acima de R$ 6.694,37. Além disso, a alíquota máxima de 27,5% seria aplicada somente sobre ganhos superiores a R$ 12.374,74. Atualmente, porém, esse patamar começa em R$ 7.350,01.
Segundo o Sindifisco, a ausência de atualização integral provoca o chamado efeito arrasto. Nesse mecanismo, reajustes salariais nominais, sem ganho real, acabam sendo mais tributados. Na prática, a carga é ampliada mesmo sem aumento efetivo da renda disponível. Com isso, o orçamento das famílias acaba sendo comprimido.
Isenção até R$ 5 mil e limites da reforma
Desde janeiro de 2026, a isenção total do imposto passou a ser aplicada a rendimentos mensais de até R$ 5.000. Além disso, uma redução linear do tributo foi instituída até a faixa de R$ 7.350. Para o presidente do Sindifisco Nacional, Dão Real, a medida é considerada um avanço, sobretudo por aliviar a base da tributação e por ser combinada com a cobrança de alíquota mínima efetiva sobre altas rendas.
Ainda assim, segundo o dirigente, uma diferença de R$ 1.694,37 permanece entre a isenção atual e o valor que seria isento caso a tabela acompanhasse integralmente a inflação. Dessa forma, a classe média continua sendo penalizada. Isso ocorre porque as demais faixas seguem congeladas, o que mantém o aumento implícito do imposto.
Defasagem da tabela do IR e desigualdade no impacto
Simulações elaboradas pelo Sindifisco indicam que um contribuinte com renda mensal de R$ 6.500 tem pago R$ 535,04 a mais por mês em razão da defasagem. Já no caso de rendimentos de R$ 10 mil, o imposto adicional chega a R$ 1.186,87. Esse valor representa uma alta de 371,8% em relação ao que seria devido com correção plena.
Por outro lado, para rendas mensais acima de R$ 100 mil, o impacto relativo é limitado a 7,86%. Segundo a entidade, esse contraste reforça o caráter regressivo do sistema atual. Nesse cenário, a defasagem da tabela do IR permanece como um fator estrutural de pressão fiscal e deve continuar no debate econômico enquanto não houver uma revisão ampla das faixas de tributação.











