Na terça-feira (20/01), a exportação de frango do Rio Grande do Sul voltou ao radar do comércio internacional. Isso ocorreu após a China anunciar a suspensão do embargo sanitário imposto ao produto do estado. Com a decisão, encerra-se um ciclo de mais de um ano de restrições às vendas externas.
O bloqueio começou em maio de 2025, após a confirmação de Newcastle em Anta Gorda, registrada no ano anterior. Posteriormente, porém, um novo episódio sanitário adiou a liberação. Em 15 de maio de 2025, um caso de influenza aviária em Montenegro levou as autoridades chinesas a manterem as restrições, mesmo com avanços nos protocolos adotados no estado.
Exportação e a reabertura do mercado chinês
Nesse contexto, a liberação altera o cenário da exportação de frango gaúcha. A China segue como o principal destino externo da proteína produzida no estado. Segundo o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), Luís Rua, as compras chinesas já estariam autorizadas desde a sexta-feira (16).
Enquanto o embargo esteve em vigor, frigoríficos e produtores precisaram rever estratégias. Houve ajustes nas escalas de abate e busca por mercados alternativos. Ainda assim, a ausência do comprador asiático limitou volumes. Além disso, pressionou margens, especialmente em um ambiente de custos elevados.
Vendas externas de carne de frango sob pressão sanitária
Os dados de 2025 refletem esse quadro. Conforme a Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), o Rio Grande do Sul exportou 686,3 mil toneladas de carne de frango no período. O volume representa queda de 0,77% em relação a 2024. A receita, por sua vez, alcançou US$ 1,24 bilhão, com recuo anual de 1,35%.
Analistas apontam que a interrupção prolongada do fluxo com a China pesou sobre o desempenho. O retorno do comprador asiático tende a restabelecer a dinâmica tradicional das vendas externas. Isso ocorre após um intervalo marcado por restrições sanitárias e redirecionamento forçado da produção.
Exportação de frango e os próximos passos do setor
Com a retomada da exportação de frango ao principal mercado internacional do estado, o setor aguarda formalizações. Entidades representativas ainda esperam um posicionamento oficial do MAPA. Até o momento, a Associação Brasileira de Proteínas Animais (ABPA) e a Asgav não divulgaram nota conjunta.
Adiante, o foco recai sobre a consolidação dos controles sanitários. Além disso, o setor busca recuperar volumes de forma gradual. A normalização das vendas à China pode reduzir excedentes internos e reorganizar preços. Ainda assim, a avicultura brasileira segue condicionada a protocolos rigorosos e à confiança dos grandes importadores globais.











