A exportação de frutas do Brasil segue em expansão no mercado europeu, mesmo diante das salvaguardas previstas pela União Europeia (UE). Dados de 2025 mostram avanço expressivo dos embarques, sustentado por uma pauta concentrada em frutas tropicais e pelo desenho do acordo de livre comércio entre Mercosul e UE, que reduz tarifas de forma gradual.
No ano passado, o setor registrou recorde histórico, com receitas de US$ 1,45 bilhão. Além disso, o volume embarcado cresceu quase 20% em relação a 2024. A Europa concentrou 79% das vendas externas, o que reforça o peso do bloco como principal destino da exportação de frutas brasileira.
Exportação após acordo Mercosul-UE
O tratado firmado entre Mercosul e União Europeia estabelece a redução progressiva de tarifas hoje situadas entre 14% e 4%. No caso da uva, a alíquota será zerada assim que o acordo entrar em vigor, segundo os termos negociados. A leitura do setor é de que esse desenho amplia a competitividade do Brasil frente a países como Peru, Chile e México, que já operam com isenção tarifária.
As salvaguardas não atingem o núcleo da pauta brasileira. Segundo ele, a exportação de frutas nacionais é formada por produtos tropicais, inexistentes na produção europeia, o que reduz conflitos comerciais.
Outro fator apontado é a contra estação. Melão, melancia, uva e mamão chegam ao mercado europeu durante a entressafra local, atendendo à demanda do hemisfério norte. Esse calendário garante regularidade nos embarques e estabilidade nas negociações.
Vendas externas de frutas brasileiras na Europa
Em 2025, manga, melão, limão, melancia, uva e mamão somaram US$ 967 milhões em receita, acima dos US$ 857,6 milhões registrados em 2024. Para a Europa, os embarques alcançaram 949 mil toneladas, crescimento relevante frente ao ano anterior, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
A redução tarifária tende a melhorar margens e ampliar contratos no médio prazo. A expectativa, conforme a Apex Brasil, é que o faturamento da fruticultura alcance US$ 1,8 bilhão até 2029, apoiado pela expansão da exportação de frutas frescas.
Exportação de frutas e próximos passos do setor
O cenário aponta para continuidade do crescimento, apoiado em tarifas de importação menores, acesso ao mercado europeu, frutas tropicais, entressafra, balança comercial, receita cambial, competitividade internacional e acordos comerciais. Ainda assim, analistas do setor destacam que logística, padrões sanitários e câmbio seguirão no radar das empresas.
A exportação de frutas brasileira entra em um novo ciclo, no qual escala e previsibilidade passam a pesar tanto quanto preço, redesenhando a estratégia das companhias no comércio internacional.











