A entrada do PicPay na Bolsa de Valores americana ganhou forma nesta terça-feira (20/01), quando a fintech protocolou junto à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (Securities and Exchange Commission – SEC) os termos finais do seu IPO (a Oferta Pública Inicial em tradução), passo que antecede a estreia prevista para o dia 29/01 na Nasdaq. A operação marca o retorno de uma empresa brasileira de tecnologia financeira ao mercado acionário norte-americano após mais de três anos.
O banco digital trabalha com uma faixa indicativa de preço entre US$ 16 e US$ 19 por ação, o que pode resultar em uma captação entre US$ 2,2 bilhões e US$ 2,6 bilhões. A precificação está prevista para o dia 28, após a rodada de reuniões com investidores institucionais em Nova York.
Como o PicPay na Bolsa está estruturando sua oferta de ações
O IPO prevê a distribuição de 26,3 milhões de ações, volume correspondente a cerca de 21% do capital total da companhia. Mesmo após a oferta, a J&F Participações seguirá como controladora do PicPay, mantendo o comando societário do banco digital.
A estrutura foi desenhada para combinar captação relevante com preservação do controle. Portanto, um ponto sensível para investidores internacionais após o histórico de adiamentos do processo iniciado ainda em 2021. Nesse contexto, a entrada do PicPay na Bolsa reaparece com um desenho mais conservador do que o observado em outras listagens de fintechs nos EUA.
Valuation, âncora e bancos da operação
O prospecto revela que a oferta já nasce com demanda parcialmente comprometida. O fundo Bycicle, liderado por Marcelo Claure, protocolou pedido firme de compra de US$ 75 milhões. Claure é conhecido no mercado por investimentos anteriores em instituições financeiras digitais, como Nubank e Inter.
A operação é liderada por Citi e Bank of America, dois dos principais bancos de investimento globais. A presença dessas instituições, portanto, amplia o alcance da oferta junto a investidores institucionais. E, além disso, confere maior rigor técnico ao processo de precificação do PicPay na Bolsa de Valores americana.
Riscos de governança no radar dos investidores
O documento enviado à SEC dedica espaço relevante aos riscos de governança e reputação. O PicPay reconhece que investigações criminais e civis envolvendo seus controladores podem afetar a percepção do mercado e, em determinados cenários, impactar a estratégia de negócios, a realização de transações e o valor das ações.
Porém, a fintech afirma cumprir todas as obrigações judiciais vigentes, mas também admite que eventuais novos processos ou acusações podem gerar efeitos adversos considerados “materiais” do ponto de vista regulatório e financeiro. Avaliação que tende a pesar na decisão de investidores mais conservadores.
Diversificação de receitas além do banco digital
Além do core financeiro, o prospecto também detalha planos de entrada no mercado de apostas esportivas. A subsidiária Nosso Time iGaming Ltda protocolou pedido para operar uma plataforma do tipo Bet, atualmente sob análise da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.
Segundo o documento, a companhia vê o segmento como uma possível fonte adicional de receitas e arrecadação tributária. Além disso, está em linha com a estratégia de ampliar o ecossistema digital além dos serviços bancários tradicionais.
PicPay na Bolsa e o contexto do mercado
A entrada do PicPay na Bolsa de valores ocorre em um ambiente de reabertura seletiva do mercado internacional para empresas brasileiras. Isso, pois, desde a listagem do Nubank, em dezembro de 2021, não houve novas estreias do país em Nova York.
Além disso, mais do que a estreia em si, o mercado tende a acompanhar disciplina regulatória, governança e capacidade de entrega operacional nos trimestres seguintes. É nesse período que a entrada do PicPay na Bolsa deixará de ser apenas um evento financeiro para se tornar, ou não, um ativo consolidado no radar internacional.











