A vida de João Appolinário ganhou novo capítulo nesta quarta-feira (21), com decisão da Justiça de São Paulo que autorizou a constrição (penhora) de bens pessoais do fundador e presidente da Polishop. A medida busca conter uma dívida de R$ 24,9 milhões cobrada pela Versuni Brasil Ltda. e amplia o alcance das execuções contra o empresário, mesmo com a empresa em recuperação judicial desde 2024.
O despacho foi assinado pelo juiz Renan Jacó Mota e atinge dois imóveis residenciais do empresário no Jardim Paulista, área valorizada da capital paulista. Na petição, a Versuni argumentou que, devido ao padrão dos imóveis, há expectativa de localização de bens com valor suficiente para reduzir, ainda que parcialmente, o débito em discussão.
Penhora de João Appolinário e o alcance sobre o patrimônio
A decisão reforça o entendimento de que a recuperação judicial da Polishop não impede cobranças direcionadas a devedores solidários. Nesse contexto, a penhora recai diretamente sobre o patrimônio pessoal de João Appolinário, que ainda pode recorrer da determinação.
O magistrado acolheu o argumento central da credora ao afirmar que a execução sobre bens de alto padrão amplia a chance de êxito na recuperação do crédito. A Justiça avaliou o histórico de inadimplência do caso. Também levou em conta a separação jurídica entre a empresa e seu controlador.
Trajetória da Polishop e do fundador
João Appolinário construiu a Polishop a partir do fim dos anos 1990. Ele transformou a marca em referência nacional na venda de produtos por televisão, catálogos e, mais tarde, plataformas digitais. O modelo de negócios ganhou escala com a aposta em marketing direto, lojas próprias e forte presença em canais de mídia.
Ao longo dos anos, a Polishop expandiu operações, diversificou o portfólio e se posicionou como uma das principais empresas do varejo multicanal no Brasil. Contudo, o avanço do comércio eletrônico, mudanças no consumo e custos operacionais pressionaram o caixa da companhia, culminando no pedido de recuperação judicial em 2024.
Histórico recente de execuções contra Appolinário
A atual penhora de bens de João Appolinário não é um episódio isolado. Em agosto de 2024, a Justiça já havia penhorado três imóveis do empresário em outro processo. A ação estava relacionada a uma dívida da Polishop com o Shopping Mooca, na zona leste de São Paulo, referente a aluguéis de uma loja encerrada.
Na ocasião, o juiz Anderson Antonucci rejeitou a tese da defesa de que a recuperação judicial da empresa impediria a cobrança, destacando que a proteção não se estende automaticamente aos sócios ou garantidores. Foram atingidas frações de um duplex no Butantã e duas salas comerciais no Jardim Paulista.
João Appolinário: penhora e o cenário à frente
A sucessão de decisões judiciais indica um ambiente mais rigoroso para empresários vinculados a companhias em recuperação. A penhora dos bens de João Appolinário reforça a leitura de que credores buscam alternativas fora do processo coletivo para preservar seus créditos. Já o Judiciário mantém espaço para execuções individuais em casos específicos.
O desfecho desses processos tende a influenciar as estratégias de credores e controladores em situações semelhantes. Esse cenário reforça o rigor na avaliação de garantias pessoais e de estruturas patrimoniais ligadas a grandes grupos do varejo.










