A liquidação do Will Bank anunciada pelo Banco Central nesta quarta-feira (21/01) trouxe ao centro do debate um volume expressivo de títulos de renda fixa. Dados oficiais do Banco Central indicam que a instituição acumulava R$ 6,508 bilhões em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) até setembro de 2025, valor que agora entra no radar do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Os CDBs do Will Bank se enquadram nas regras de cobertura do fundo, respeitado o limite de R$ 250 mil por CPF. Na prática, esse montante amplia o esforço do FGC logo após o maior processo de ressarcimento de sua história, iniciado com a quebra do Banco Master, também controlado por Daniel Vorcaro.
Liquidação do Will Bank e a exposição do FGC
A leitura do mercado é que a liquidação do Will Bank adiciona uma nova camada de pressão ao sistema de garantias. No caso do Master, o FGC iniciou pagamentos a cerca de 800 mil investidores, com indenizações que somam R$ 40,6 bilhões. Em nota divulgada naquele episódio, o fundo afirmou manter reservas suficientes para enfrentar cenários severos de estresse.
Ainda assim, o volume de CDBs com a liquidação Will Bank se soma a um passivo total de R$ 14,2 bilhões reportado ao regulador. Além dos depósitos cobertos, a financeira tinha R$ 1,3 bilhão em letras financeiras, instrumentos que não contam com proteção do FGC, o que tende a concentrar perdas fora do escopo do fundo.
Deterioração patrimonial e decisões do regulador
Apesar de registrar lucro líquido de R$ 408,3 milhões no terceiro trimestre de 2025, o Will Bank operava com patrimônio líquido negativo de R$ 76 milhões. Esse descompasso, portanto, ajuda a explicar a decisão final do Banco Central, após meses de Regime de Administração Especial Temporária (Raet).
Vale ressaltar que, quando liquidou o Banco Master em novembro, o BC optou por preservar o Will Bank, diante do interesse de investidores em adquirir a fintech. No Raet, o banco manteve suas atividades, mas perdeu sua diretoria. O avanço das dificuldades operacionais, porém, mudou o cenário nas últimas semanas.
Instituições ligadas ao Banco Master sob supervisão e apurações regulatórias
A liquidação do Will Bank não ocorreu de forma isolada. Desde a intervenção no Banco Master, o Banco Central ampliou o monitoramento sobre outras instituições do mesmo entorno societário e prudencial. Entre elas, temos:
- Banco Master de Investimento S.A. — integrante do conglomerado prudencial, incluído no pacote de regimes especiais aplicado pelo BC.
- Banco Letsbank S.A. — instituição do grupo que passou a operar sob intervenção do Banco Central.
- Master S.A. Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários — braço do grupo no mercado de capitais, alcançado pelas medidas regulatórias.
- BlueBank S.A. (ex-Last Bank) — integrante do entorno societário do grupo, submetida a acompanhamento regulatório intensificado.
Clientes, operação e reflexos imediatos após liquidação do Will Bank
Com cerca de 9 milhões de clientes e forte presença no Nordeste, sobretudo nas classes C e D, o Will Bank enfrentou um abalo operacional relevante. Além disso, na terça-feira (20/01), a Mastercard interrompeu a aceitação de transações com cartões da instituição, após operações realizadas no dia anterior não terem sido honradas.
Além diso, liquidação do Will Bank também encerra uma trajetória marcada por forte investimento em marketing e posicionamento nacional, após a compra pelo Banco Master em 2024. Antes disso, ao menos quatro investidores Ientre fundos brasileiros e estrangeiros) analisaram uma possível aquisição, segundo informações de mercado.
No horizonte, o caso reforça a atenção de investidores e reguladores sobre a expansão acelerada de bancos digitais financiados por captação agressiva em renda fixa. Tudo em um ambiente de crédito mais restritivo e maior escrutínio prudencial.










