O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que funciona como prévia da inflação de janeiro, registrou alta de 0,20%, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (27/01). Porém, apesar da alta, o resultado ficou abaixo da taxa de dezembro e indica um início de ano com menor pressão inflacionária no curto prazo.
No acumulado de 12 meses, a prévia da inflação de janeiro atingiu 4,50%, acima dos 4,41% observados no período imediatamente anterior. A leitura, no entanto, reflete um cenário de alívio em itens regulados, compensado por avanços concentrados em serviços e consumo essencial.
Prévia da inflação de janeiro e os vetores do IPCA-15
A desaceleração mensal do IPCA-15 foi sustentada principalmente por dois grupos com peso relevante no orçamento das famílias, que atuaram como freio sobre o índice geral. Os grupos são:
- Habitação (-0,26%), com impacto negativo relevante
- Energia elétrica residencial caiu 2,91%, com efeito direto da bandeira tarifária verde
- Contribuição de -0,12 ponto percentual no índice geral
- Transportes (-0,13%), influenciados por ajustes de tarifas e serviços
- Passagens aéreas recuaram 8,92% no mês
- Transporte público refletiu combinação de reajustes e políticas de gratuidade em capitais
Esses componentes explicam a perda de fôlego da inflação na margem, especialmente em despesas reguladas.
Serviços mantêm pressão sobre a prévia da inflação
Mesmo com o alívio observado em energia e transportes, a prévia da inflação de janeiro mostrou avanço consistente em grupos ligados a serviços, historicamente menos voláteis.
- Saúde e cuidados pessoais (0,81%), maior impacto individual do mês
- Higiene pessoal subiu 1,38%
- Planos de saúde avançaram 0,49%
- Comunicação (0,73%), pressionada por bens duráveis
- Aparelhos telefônicos registraram alta de 2,57%
Esses grupos concentraram a maior parte da pressão altista do IPCA-15. E, além disso, seguem como pontos de atenção na dinâmica inflacionária.
Alimentos e diferenças regionais no IPCA-15
O grupo Alimentação e bebidas voltou a acelerar após meses de retração, influenciado por fatores sazonais e oscilações em produtos in natura. Segundo a prévia da inflação de janeiro, podemos observar que:
- Alta de 0,31%, ante 0,13% em dezembro
- Alimentação no domicílio subiu 0,21%, encerrando sequência de sete meses de quedas
- Tomate (16,28%) e batata-inglesa (12,74%) lideraram as altas
- Leite longa vida (-7,93%) e arroz (-2,02%) ajudaram a conter o avanço
- Alimentação fora do domicílio avançou 0,56%, com lanche e refeição em elevação
No recorte regional, Recife (0,64%) apresentou a maior variação mensal, enquanto São Paulo (-0,04%) registrou o menor resultado, influenciado pela queda da energia elétrica e de alimentos específicos.
O que a prévia da inflação indica para o começo do ano
A leitura da prévia da inflação de janeiro do IPCA-15 aponta para um começo de 2026 com menor pressão conjuntural, apoiada por energia e transportes, mas ainda marcada por avanços em serviços e consumo essencial. Portanto, o comportamento desses núcleos tende a seguir no radar do mercado nos próximos meses.











