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As vendas de carros elétricos superaram as de veículos a gasolina na União Europeia pela primeira vez em dezembro, segundo dados divulgados na terça-feira (27) pela Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA). O resultado consolida uma virada no perfil de consumo do mercado automotivo europeu ao fim de um ano marcado por ajustes regulatórios e pressão competitiva.
O avanço não se restringiu ao bloco. No mercado europeu ampliado, que inclui Reino Unido e Noruega, os emplacamentos de elétricos a bateria também ficaram à frente dos modelos a combustão. O desempenho ocorreu em um contexto de crescimento geral do setor, que registrou o sexto mês consecutivo de alta anual nas vendas.
Vendas de carros elétricos ganham espaço no bloco
Em dezembro, os registros de veículos elétricos a bateria cresceram 51% na comparação anual, enquanto os híbridos plug-in avançaram 36,7% e os híbridos, 5,8%. Juntas, essas tecnologias responderam por 67% dos novos registros no bloco europeu, reforçando a mudança estrutural do mercado.
No acumulado, as vendas totais na União Europeia, no Reino Unido e na Associação Europeia de Livre Comércio subiram 7,6% em dezembro, para 1,2 milhão de unidades. Em 2025, o volume chegou a 13,3 milhões de carros, alta de 2,4% e o maior nível em cinco anos, ainda abaixo do patamar pré-pandemia.
Concorrência redefine o mercado automotivo europeu
A disputa pelo consumidor europeu se intensificou com a presença crescente de marcas chinesas como BYD, Changan e Geely. Em dezembro, a BYD registrou avanço de 229,7% nos emplacamentos, enquanto a Tesla teve queda de 20,2%, sinalizando uma redistribuição de forças no segmento elétrico.
Entre as montadoras tradicionais, a Volkswagen teve crescimento de 10,2% nos registros no mês, e a Stellantis avançou 4,5%. A Renault, por outro lado, recuou 2,2%. O cenário reflete a busca por novos modelos mais acessíveis e ajustes de portfólio diante da pressão por custos e margens.
Vendas de carros elétricos e o dilema regulatório
O desempenho ocorre apesar da decisão da União Europeia de flexibilizar o plano que previa a proibição efetiva de carros com motor a combustão a partir de 2035. A revisão atendeu a demandas da indústria, que enfrenta concorrência asiática, tarifas de importação dos Estados Unidos e desafios para tornar os elétricos rentáveis.
Ainda assim, a expectativa do setor segue positiva. Para Chris Heron, secretário-geral da E-Mobility Europe, a indústria europeia começou a reagir com lançamentos mais competitivos e apoio de incentivos nacionais. Segundo ele, as vendas de carros elétricos devem continuar em expansão em 2026, sustentadas pela adesão do consumidor e pela consolidação da oferta no continente.











