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O déficit fiscal do Brasil deve liderar a América Latina em 2026, segundo avaliação divulgada na terça-feira (27) pela Fitch Ratings, em um momento no qual a maior parte da região apresenta melhora nas contas públicas após a pandemia. A leitura reforça o contraste entre o quadro fiscal brasileiro e o ajuste observado em países vizinhos, mesmo com sinais mais favoráveis de inflação e atividade.
De acordo com a agência, a dívida do governo brasileiro permanece entre as mais elevadas da região, fator que limita a flexibilidade da política econômica. Para a Fitch, esse desequilíbrio reduz a capacidade de reação do país diante de choques externos e mantém o tema fiscal no centro das análises de risco soberano.
Déficit fiscal no Brasil no contexto regional
Enquanto diversas economias latino-americanas reduziram o déficit em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) desde 2021, o Brasil segue em trajetória distinta. Shelly Shetty, chefe de ratings soberanos da Fitch para Américas e Ásia-Pacífico, afirma que o país deve registrar o maior desequilíbrio fiscal da região no próximo ano, apesar do avanço parcial no controle da inflação.
A agência projeta crescimento do PIB brasileiro ligeiramente abaixo de 2,0% em 2026. Esse ritmo fica próximo ao esperado para os Estados Unidos, estimado em 2%, mas ocorre em um ambiente fiscal mais pressionado. Para a Fitch, a combinação entre expansão moderada e dívida elevada mantém o debate fiscal no radar de investidores e credores.
Juros elevados e leitura monetária
No campo monetário, o Brasil também se diferencia da América Latina. Segundo Shetty, a maioria dos países da região conseguiu iniciar ciclos de corte de juros, enquanto o Brasil mantém taxas elevadas por um período prolongado. Esse cenário amplia o diferencial de juros em relação ao Federal Reserve (Fed), acima da média histórica.
Como efeito, a Fitch observa um pano de fundo de moedas mais valorizadas ao longo de 2025, com destaque para o real e o peso colombiano. A agência avalia que o juro alto sustenta o câmbio, mas impõe custos relevantes à dinâmica fiscal e ao crescimento doméstico.
Cenário global e próximos vetores
No ambiente internacional, a Fitch espera desaceleração mais intensa da China, com crescimento projetado em 2,1%, ante 5% anteriormente, reflexo da demanda interna menor. Os investimentos chineses na América Latina permanecem baixos, reduzindo um importante vetor externo para a região.
Ainda assim, a desvalorização global do dólar tem beneficiado economias latino-americanas. No caso brasileiro, porém, o déficit fiscal do Brasil segue como principal variável de atenção. A leitura da Fitch Ratings indica que, sem mudanças na trajetória das contas públicas, o país continuará destoando do ajuste regional e mantendo o risco fiscal como elemento central na precificação dos ativos.











