A reestruturação da Nokia ganhou um novo elemento nesta quinta-feira (29) com o anúncio da saída planejada de Sari Baldauf da presidência do conselho de administração, em meio a um reposicionamento estratégico centrado em inteligência artificial e infraestrutura digital.
O grupo finlandês informou que pretende indicar Timo Ihamuotila, atual vice-presidente, como sucessor. A mudança ocorre no mesmo dia em que a empresa divulgou resultados trimestrais alinhados às expectativas, mas enfrentou reação negativa do mercado, com queda superior a 9% das ações em Helsinque.
Reestruturação da Nokia e mudanças na governança
Sari Baldauf ocupa a presidência do conselho desde 2020 e integra a história recente da companhia em diferentes ciclos. Sua decisão de deixar o cargo acontece enquanto a empresa conduz uma das maiores reorganizações desde a venda do negócio de telefonia móvel.
Timo Ihamuotila, indicado para a sucessão, conhece a estrutura interna da companhia. Ele foi diretor financeiro entre 2009 e 2016 e atualmente integra a alta liderança, embora ainda precise concluir sua saída do grupo suíço ABB, prevista até o fim de 2026.
Resultados financeiros e reação do mercado
No quarto trimestre, a Nokia registrou lucro operacional comparável de 1,05 bilhão de euros, queda anual de 3%, mas dentro da estimativa média de analistas. As vendas líquidas somaram 6,12 bilhões de euros no período.
Apesar disso, investidores reagiram com cautela. A leitura negativa refletiu não apenas a troca no comando do conselho, mas também a sensibilidade do mercado ao guidance divulgado para os próximos anos, em um ambiente competitivo no setor de telecomunicações.
Nokia com foco em IA e data centers
Dentro da reestruturação da Nokia, a unidade de Optical Networks ganhou destaque. O segmento avançou 17% no trimestre, apoiado por uma entrada de pedidos considerada forte e relação entre pedidos e faturamento acima de um.
A empresa trata essa divisão como peça-chave para a expansão da infraestrutura de IA e serviços de nuvem. Os investimentos direcionados ao segmento buscam sustentar o desempenho de longo prazo, especialmente diante da perda de contratos e do ritmo mais fraco de gastos em 5G.
O grupo projeta lucro operacional comparável entre 2 bilhões e 2,5 bilhões de euros em 2026. Analistas avaliam a projeção como conservadora. Ainda assim, a Nokia optou por manter os dividendos em até 14 centavos de euro por ação, reforçando disciplina financeira durante a reestruturação.











