A queda do ouro marcou nesta sexta-feira (30/01) a reversão mais intensa do mercado de metais preciosos em anos. Após atingir máximas históricas, o metal recuou até 8% no intradiário, rompendo o nível de US$ 5.000 por onça-troy, enquanto a prata também devolveu parte dos ganhos recentes.
O ajuste ocorreu após o fortalecimento do dólar, em meio à confirmação de que Kevin Warsh será indicado para a presidência do Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos EUA. A mudança, portanto, alterou a percepção sobre a condução da política monetária e reduziu a atratividade dos metais como proteção cambial no curto prazo.
Queda do ouro e o gatilho macroeconômico
A correção ganhou força quando investidores passaram a realizar lucros acumulados ao longo de janeiro. O período havia sido marcado por compras defensivas, sustentadas por incertezas fiscais, tensões geopolíticas e questionamentos sobre a atuação do banco central americano.
Para Christopher Wong, estrategista do Oversea-Chinese Banking Corp., altas aceleradas no ouro costumam terminar em correções igualmente rápidas, como a observada agora. Segundo ele, a notícia sobre Warsh funcionou como catalisador, mas o mercado já demonstrava sinais claros de exaustão.
Histórico recente do ouro e a sequência de recordes
Antes da queda, o ouro vinha de uma escalada rara, sustentada por fluxo global em busca de proteção e aumento da demanda em mercados futuros.
Linha do tempo do rali do ouro:
- Outubro/2025: o metal superou a faixa de US$ 4.200, renovando máximas históricas em meio à busca por ativos defensivos.
- Novembro/2025: o ouro rompeu US$ 4.500, impulsionado por compras institucionais e maior participação de investidores asiáticos.
- Dezembro/2025: a alta ganhou tração e levou o metal acima de US$ 4.800, com forte aumento do volume negociado.
- Janeiro/2026: o ouro rompeu pela primeira vez US$ 5.000 e alcançou máximas próximas de US$ 5.600, entrando no radar do melhor desempenho mensal desde 1980.
Mesmo após a liquidação recente, o ouro ainda acumula alta próxima de 18% no ano, enquanto a prata registra valorização superior a 40%, dimensionando a intensidade do rali interrompido.
Queda do ouro e os alertas técnicos do mercado
A velocidade da alta deixou sinais evidentes de estresse. O índice de força relativa (RSI) do ouro atingiu 90, patamar historicamente associado a condições de sobrecompra extrema e maior risco de correção abrupta.
Além disso, o mercado de derivativos ampliou a volatilidade. Compras intensas de opções de compra obrigaram vendedores desses contratos a se proteger adquirindo o metal à vista, reforçando mecanicamente a alta e acelerando o ajuste quando o fluxo virou.
Reprecificação do mercado e fechamento do rali
Nesse contexto, o mercado passou a interpretar a queda do ouro como resposta a preços excessivamente esticados, e não como um evento isolado. Com dólar, juros e decisões do Federal Reserve novamente no centro das estratégias, o mercado passou a reavaliar o equilíbrio de curto prazo dos metais preciosos.
A correção, portanto, encerra a sequência de recordes e redefine o ritmo do trade defensivo, em um ambiente no qual a velocidade da alta recente se mostrou tão relevante quanto os fundamentos que a sustentaram.











