As expectativas do mercado, apuradas no Relatório Focus divulgado nesta segunda-feira (02/02), pelo Banco Central, mostram uma nova revisão para baixo da inflação projetada para 2026. Ao mesmo tempo em que mantêm crescimento econômico moderado, juros elevados e câmbio estável no horizonte de médio prazo.
A leitura consolida um padrão observado nas últimas semanas: ajustes marginais nas projeções de preços, sem alterações relevantes na avaliação sobre atividade. Além disso, uma política monetária e cenário externo, segundo a mediana das estimativas coletadas pelo Banco Central.
Expectativas do mercado para inflação no Relatório Focus
O dado mais sensível do relatório voltou a ser a inflação. Na comparação com a edição da semana anterior, divulgada em 26 de janeiro, o mercado reduziu novamente a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026.
- IPCA 2026: 3,99%, ante 4,00% no relatório de 26/01
- IPCA 2027: 3,80%, sem alteração
- IPCA 2028: 3,50%, mantido por 13 semanas consecutivas
A sequência de revisões indica que, apesar de a inflação seguir acima do centro da meta, o mercado passou a trabalhar com menor pressão de preços no médio prazo, especialmente nos componentes mais sensíveis à política monetária.
Projeções para juros, câmbio e crescimento econômico
As expectativas do mercado para os demais indicadores permaneceram praticamente inalteradas em relação à semana anterior, reforçando, portanto, um cenário-base de estabilidade.
Além disso, no campo da política monetária, as projeções seguem indicando juros elevados em 2026, com recuo gradual nos anos seguintes:
- Selic 2026: 12,25% ao ano
- Selic 2027: 10,50%
- Selic 2028: 10,00%
Para a atividade econômica, o mercado manteve estimativas de crescimento contido:
- PIB 2026: 1,80%
- PIB 2027: 1,80%
- PIB 2028: 2,00%
No câmbio, porém, não houve alteração relevante. A projeção segue em torno de R$ 5,50 por dólar para 2026 e 2027, sugerindo ausência de reprecificação de risco no curto prazo.
Expectativas do mercado e leitura fiscal de médio prazo
Apesar da melhora gradual nas projeções de inflação, o Relatório Focus segue mostrando uma leitura fiscal desconfortável no horizonte mais longo. A dívida líquida do setor público, inclusive, mantém trajetória ascendente, mesmo com leve melhora esperada para o resultado primário.
- Dívida líquida 2026: 70,32% do PIB
- Dívida líquida 2029: 78,99% do PIB
- Resultado primário 2026: -0,53% do PIB
- Resultado primário 2029: -0,03% do PIB
Esse contraste ajuda a explicar por que o mercado continua projetando juros elevados por mais tempo, mesmo diante da desaceleração gradual da inflação.
Na leitura ampliada Relatório Focus revela cautela no mercado
No conjunto, as expectativas do mercado indicam um cenário de inflação mais comportada em 2026, sem mudança estrutural na avaliação sobre crescimento, juros e câmbio. A leitura, portanto, sugere que o mercado segue ajustando projeções de preços na margem, enquanto mantém cautela diante das restrições fiscais. E, além de tudo, da necessidade de disciplina monetária ao longo do próximo ciclo econômico.



