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Ibovespa em janeiro registra alta histórica e lidera investimentos do ano

O Ibovespa em janeiro subiu 12,56%, liderou o ranking de investimentos, superou o ouro e atraiu forte fluxo estrangeiro, com ganhos expressivos também em dólares.
Ibovespa em janeiro lidera investimentos com forte entrada de capital estrangeiro.
Ibovespa em janeiro registra um dos maiores ganhos mensais desde 2010. Imagem: Canva

O Ibovespa em janeiro registrou um dos desempenhos mais fortes de sua história recente. Ao fim do mês, o índice acumulou alta de 12,56%. Com isso, a bolsa brasileira liderou o ranking de investimentos em um período normalmente marcado por ajustes e volatilidade.

Além do retorno elevado em reais, o resultado chamou atenção pela consistência. Em levantamento que comparou 13 classes de ativos, a Bolsa superou aplicações vistas como proteção em cenários incertos. Assim, a hierarquia tradicional dos investimentos no início do ano foi alterada.

Ibovespa em janeiro e o ranking dos ativos

Nesse contexto, o avanço de dois dígitos superou o desempenho do ouro, que subiu 11,97% no período. Também ficou à frente do IDIV, índice das principais ações pagadoras de dividendos, que avançou 10,56%. Dessa forma, a renda variável doméstica passou a liderar frente a ativos defensivos.

O dado ganha peso porque rompe um padrão recorrente. Em geral, janeiro concentra realização de lucros e recomposição de carteiras. Além disso, costuma haver menor apetite por risco. Desta vez, porém, a bolsa brasileira contrariou esse comportamento.

No recorte histórico, o resultado aparece como o terceiro melhor mês desde 2010. Ele fica atrás apenas de março de 2016 e novembro de 2020. Ambos os períodos foram marcados por mudanças relevantes na leitura do cenário econômico e político.

Leitura externa e ganhos em moeda forte

Sob a ótica internacional, o desempenho foi ainda mais expressivo. Em dólares, o índice acumulou alta próxima de 20,37%. Com isso, entrou para o grupo dos maiores ganhos mensais desde 2000. Também atingiu o melhor nível desde o fim de 2020.

Ao mesmo tempo, a queda do dólar frente ao real ampliou os ganhos para investidores estrangeiros. Esse efeito cambial elevou a atratividade relativa dos ativos locais. Em especial, o Brasil passou a se destacar frente a outros mercados emergentes.

Esse ambiente reforçou a leitura de reprecificação do risco. Diante disso, investidores globais reduziram posições defensivas. Em contrapartida, ampliaram a exposição direta à bolsa brasileira.

Ibovespa em janeiro, fluxo estrangeiro e próximos passos

O fluxo financeiro corroborou essa leitura. Até 27 de janeiro, a B3 registrou entrada líquida de R$ 21,8 bilhões de investidores estrangeiros. Esse volume corresponde a 81,4% de todo o saldo positivo observado ao longo de 2025.

A concentração do ingresso em poucas semanas sugere uma mudança de preferência relevante. Ela foi sustentada por câmbio, valuation, liquidez e expectativas sobre o ambiente macroeconômico.

Por fim, o desempenho do Ibovespa em janeiro não define, isoladamente, a trajetória do ano. Ainda assim, ele indica um reposicionamento importante dos fluxos globais. Esse ajuste tende a influenciar preços de ativos, custo de capital e estratégias de alocação no mercado brasileiro.

Foto de Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino é jornalista formada pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção jornalística e em conteúdos analíticos sobre negócios, investimentos e tecnologia aplicada às empresas, além de experiência em coberturas digitais e projetos editoriais.

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