A produção industrial em 2025 encerrou o ano com sinais claros de enfraquecimento. É o que sinalizam os dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada nesta terça-feira (03/02). Segundo o levantamento, a atividade recuou 1,2% em dezembro frente a novembro, enquanto o crescimento acumulado no ano ficou limitado a 0,6%.
Além disso, o resultado de dezembro ampliou uma sequência negativa iniciada em setembro e interrompeu qualquer leitura de recuperação no fim do ano. Mesmo com avanço de 0,4% na comparação com dezembro de 2024, a média móvel trimestral permaneceu negativa, indicando perda de tração no curto prazo.
Produção industrial em 2025 perde força no segundo semestre
Ao longo de 2025, o desempenho da indústria mostrou dois momentos distintos. Após um primeiro semestre ainda sustentado por expansão moderada, o segundo semestre registrou estagnação quase completa, segundo o IBGE.
Nesse contexto, alguns indicadores ajudam a dimensionar essa desaceleração:
- Queda acumulada de 1,9% entre setembro e dezembro, refletindo retração disseminada.
- Média móvel trimestral de -0,5% em dezembro, sinalizando fraqueza estrutural no curto prazo.
- Produção apenas 0,6% acima do nível pré-pandemia, registrado em fevereiro de 2020.
- Distância de 16,3% em relação ao pico histórico de maio de 2011.
De acordo com André Macedo, gerente da PIM, a perda de ritmo guarda relação direta com a política monetária mais restritiva. Segundo ele, juros elevados afetam tanto decisões de investimento das empresas quanto o consumo das famílias, especialmente em segmentos mais sensíveis ao crédito.
Desempenho mostra dependência do setor extrativo
A leitura anual da produção industrial em 2025 revela um crescimento sustentado por poucos setores. O avanço de 0,6% frente a 2024 ocorreu apesar do desempenho negativo da indústria de transformação.
Os dados setoriais mostram essa assimetria:
- Indústrias extrativas cresceram 4,9%, impulsionadas pela atividade ligada ao petróleo.
- Produtos alimentícios avançaram 1,5%, com contribuição relevante para a média.
- Indústria de transformação recuou 0,2%, limitando o crescimento agregado.
Entre as grandes categorias econômicas, os resultados também foram desiguais. Bens de consumo duráveis cresceram 2,5% no ano, enquanto bens intermediários avançaram 1,5%. Em contraste, bens de capital caíram 1,5% e bens de consumo semi e não duráveis recuaram 1,7%.
Segundo Macedo, o setor extrativo funcionou como principal sustentação do resultado anual, enquanto a indústria de transformação perdeu espaço ao longo do ano.
Forte queda em dezembro marca produção industrial em 2025
A retração de 1,2% em dezembro teve perfil amplo e afetou a maioria das atividades industriais. Das 25 pesquisadas pelo IBGE, 17 registraram queda na passagem mensal, o maior espalhamento negativo desde setembro de 2022.
Portanto, entre os principais vetores de queda no mês, destacam-se:
- Veículos automotores, reboques e carrocerias, com recuo de 8,7%, o mais intenso desde maio de 2024.
- Produtos químicos, que caíram 6,2% e acumularam dois meses seguidos de retração.
- Metalurgia, com baixa de 5,4%, anulando ganhos recentes.
Macedo avalia que o desempenho fraco de dezembro reflete tanto a perda de demanda quanto fatores operacionais. Segundo ele, paralisações e férias coletivas tiveram peso relevante em setores como veículos, químicos e eletrônicos, aprofundando as taxas negativas do mês.
Indústria entra em 2026 com base estreita e decisões travadas
Segundo a Pesquisa Industrial Mensal, o desenho deixado pela produção industrial em 2025 combina crescimento limitado, dependência de poucos setores e perda de fôlego ao longo do ano. Com crédito ainda restrito e consumo seletivo, a indústria inicia 2026 pressionada a recompor demanda e investimento em um ambiente que segue pouco favorável à expansão ampla.





