A expansão da Latam ganhou novos contornos na terça-feira (03), quando a companhia confirmou planos para incorporar 41 aeronaves à frota, mas sem definição das rotas que receberão os aviões. A decisão, segundo a empresa, depende de fatores fiscais, operacionais e regulatórios ainda em negociação no Brasil.
A entrega das aeronaves para a Latam ocorrerá de forma gradual a partir do final de 2026. O primeiro lote será composto por 12 jatos Embraer E2, adquiridos em outubro do ano passado. Além disso, a companhia espera receber três novos Boeing 787, modelo voltado para operações de longo alcance.
Expansão da Latam e a equação das rotas
Apesar do reforço da frota, a Latam ainda avalia quais mercados poderão absorver a nova capacidade. A análise envolve a estrutura dos aeroportos e, principalmente, a carga tributária estadual aplicada ao setor aéreo, com foco no ICMS sobre combustíveis.
O CEO da Latam Airlines Brasil, Jerome Cadier, afirmou que as conversas com os estados seguem em curso. Segundo ele, a empresa trabalha com uma lista preliminar de destinos, mas evita decisões sem clareza sobre custos operacionais e infraestrutura disponível.
No campo internacional, a estratégia é mais conservadora. A companhia não prevê abertura de novos destinos fora do país em 2026, já que a capacidade atual está praticamente ocupada. O plano é ampliar frequências, como nos voos entre São Paulo e Europa, a partir de abril.
Frota, financiamento e limites do Fnac
A expansão da Latam também ocorre em meio ao debate sobre o uso do Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac) para financiar aeronaves. Em dezembro de 2025, o governo federal e o BNDES assinaram contrato que prevê até R$ 4 bilhões em crédito ao setor.
Jerome Cadier avalia a iniciativa de forma positiva, mas ressalta que o modelo precisa considerar as diferenças entre as companhias aéreas que operam no país. Para ele, um formato único pode não atender às necessidades de todos os players sem ajustes.
As exigências atuais para acesso aos recursos geraram críticas no setor. Segundo o executivo, há espaço para negociação, e um entendimento pode ser alcançado até o meio deste ano, desde que o desenho preserve o equilíbrio concorrencial.
Expansão da Latam e o ambiente regulatório
Além do financiamento, a empresa acompanha com atenção pontos ainda indefinidos da reforma tributária, considerados sensíveis para o planejamento de longo prazo. A previsibilidade das regras é vista como fator determinante para novos investimentos.
Outro tema monitorado é o projeto que trata da cobrança de bagagem, atualmente em discussão no Congresso Nacional. O mercado defende o pagamento no despacho, em linha com práticas internacionais, e aguarda uma definição que traga segurança jurídica.
Ao reunir frota maior, impostos estaduais, financiamento público e decisões regulatórias, a expansão da Latam avança cercada de variáveis que podem redefinir o ritmo e o alcance do crescimento da companhia no Brasil.





