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Inflação de 2026 entra no radar do mercado com projeção abaixo de 4%

A inflação de 2026 passou a ser projetada abaixo de 4% no Focus. Câmbio, juros altos e safra ajudam, mas riscos fiscais, eleitorais e do mercado de trabalho seguem no radar.
Projeções da inflação de 2026 segundo o Boletim Focus
Mercado revisa estimativas e passa a projetar inflação de 2026 abaixo de 4%. Imagem: Canva

A inflação de 2026 passou a ser estimada abaixo de 4% pelo mercado financeiro, segundo o Boletim Focus divulgado na segunda-feira (02/02). A mediana das projeções para o IPCA recuou para 3,99%, após quatro revisões consecutivas, algo que não ocorria desde dezembro de 2024.

O dado chama atenção porque surge em um ambiente ainda marcado por desconfiança fiscal. Mesmo assim, analistas avaliam que vetores externos e ajustes setoriais vêm se sobrepondo aos riscos domésticos, sustentando um cenário menos pressionado para os preços no próximo ano.

Inflação de 2026 e os vetores que aliviam os preços

O principal fator citado por economistas é o comportamento do câmbio. A desvalorização global do dólar, impulsionada pela realocação de recursos para fora dos Estados Unidos, tem reduzido custos de importação e atenuado repasses internos.

Outro ponto é o efeito acumulado da política monetária. A taxa Selic está em 15% desde junho de 2025, o que tem restringido crédito e consumo. Esse ambiente contribui para expectativas inflacionárias mais contidas, que tendem a se refletir nos preços ao longo do tempo.

A agropecuária também entra no cálculo. A perspectiva de novas safras robustas em 2026, somada à queda recente das commodities agrícolas e energéticas, ajuda a conter custos ao longo da cadeia produtiva. Em 2025, alimentos e bebidas subiram 2,95%, abaixo do índice geral, e o mercado espera desempenho semelhante.

Pressões domésticas e o peso do ano eleitoral

Apesar do alívio externo, a inflação de 2026 segue exposta a riscos internos. O gasto público permanece como foco de atenção, sobretudo diante de um ano eleitoral. Economistas apontam que estímulos governamentais, como ampliação de crédito ou ajustes tributários, podem reacender pressões a partir do segundo trimestre.

O mercado de trabalho é outro ponto sensível. Emprego e renda ainda elevados sustentam a demanda por serviços, segmento historicamente mais resistente à desaceleração. Segundo analistas, esse fator limita uma queda mais intensa do IPCA.

Há também riscos adicionais no radar. A corrida eleitoral pode gerar instabilidade no câmbio, enquanto eventos climáticos extremos podem afetar a produção de alimentos, alterando projeções ao longo do ano.

Inflação de 2026 entre projeções e próximos passos

As estimativas das instituições refletem esse equilíbrio delicado. A SulAmérica Investimentos projeta IPCA de 4,1% em 2026, acima da meta de 3%. Já a XP trabalha com 4%, com viés de baixa, condicionando o resultado à manutenção do cenário externo favorável.

No conjunto, a inflação de 2026 aponta para um quadro menos pressionado do que em 2025, mas ainda dependente de disciplina fiscal e condução cautelosa da política econômica para evitar reviravoltas ao longo do ano.

Foto de Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino é jornalista formada pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção jornalística e em conteúdos analíticos sobre negócios, investimentos e tecnologia aplicada às empresas, além de experiência em coberturas digitais e projetos editoriais.

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