Os investimentos da Alphabet ganharam novo patamar após a empresa divulgar, na quarta-feira (4), um trimestre com lucro e receita acima das expectativas do mercado. Mesmo com números fortes, as ações reagiram negativamente no after hours de Nova York, refletindo a atenção dos investidores ao salto expressivo nos gastos voltados à inteligência artificial.
A controladora do Google registrou lucro por ação de US$ 2,82 no trimestre encerrado em dezembro, acima da estimativa consensual de US$ 2,63. A receita atingiu US$ 113,8 bilhões, também acima do esperado, com crescimento anual de 18%. No acumulado do ano, a Alphabet ultrapassou pela primeira vez a marca de US$ 400 bilhões em faturamento.
Investimentos da Alphabet e desempenho operacional
O avanço do resultado foi sustentado principalmente pelo Google Services, que respondeu por US$ 95,9 bilhões em receita, com alta de 14%. A busca do Google cresceu 17%, impulsionada pela integração de recursos de IA, enquanto assinaturas, plataformas e dispositivos avançaram no mesmo ritmo. Já os anúncios do YouTube tiveram expansão de 9%, mantendo trajetória positiva.
Outro destaque veio do Google Cloud, cuja receita saltou 48%, para US$ 17,7 bilhões. A unidade tem se beneficiado do aumento da demanda corporativa por infraestrutura de nuvem, computação em larga escala e soluções empresariais baseadas em IA, especialmente por meio do Google Cloud Platform (GCP).
Segundo Sundar Pichai, CEO da Alphabet e do Google, a empresa entrou em um novo ciclo operacional. Ele afirmou que o aplicativo Gemini superou 750 milhões de usuários ativos mensais e que a busca atingiu volumes inéditos de uso, impulsionados pela adoção de inteligência artificial.
Escalada de gastos e foco em inteligência artificial
Paralelamente ao crescimento do negócio, os investimentos da Alphabet chamaram atenção pelo tamanho. A companhia projeta investir entre US$ 175 bilhões e US$ 185 bilhões neste ano, valor muito acima da média de US$ 115,26 bilhões esperada por analistas, segundo dados da LSEG.
O foco do capex está em infraestrutura de IA, data centers, chips especializados, modelos fundacionais e expansão de aplicações corporativas. O lançamento do modelo Gemini 3, em novembro, reforçou a estratégia do Google de disputar espaço com rivais como Microsoft e OpenAI no campo da IA generativa.
O avanço foi suficiente para provocar reações no setor. Após o lançamento do Gemini 3, Sam Altman, presidente-executivo da OpenAI, teria acionado um alerta interno para acelerar o desenvolvimento de novos modelos, segundo relatos atribuídos a fontes próximas à empresa.
Os investimentos da Alphabet e reação do mercado
Apesar dos números positivos, o mercado reagiu com cautela. As ações da Alphabet recuaram 2,12% no after hours, refletindo preocupações recorrentes sobre o retorno financeiro dos gastos elevados com inteligência artificial. O movimento ocorre em um contexto mais amplo de aumento agressivo de investimentos entre as grandes empresas de tecnologia.
Junto com Meta, Amazon e Microsoft, a Alphabet integra um grupo que deve investir mais de US$ 500 bilhões em IA neste ano. A Meta, por exemplo, elevou sua projeção de capex em 73%, para até US$ 135 bilhões, ampliando o debate sobre eficiência e monetização desses aportes.
Ainda assim, os dados operacionais indicam que os investimentos da Alphabet já começam a se traduzir em crescimento de receita, aumento de usuários e maior presença no mercado corporativo. O desafio agora é convencer os investidores de que essa estratégia bilionária terá retorno consistente no médio e longo prazo.





