A produção de petróleo no Brasil deve responder pela maior parte do crescimento da oferta na América Latina em 2026, com volume projetado acima de 4,2 milhões de barris por dia. Isso, segundo relatório da consultoria Rystad Energy divulgado na quarta-feira (04/02). O avanço brasileiro ocorre em um momento de reorganização da oferta internacional, com países fora da Opep+ ampliando participação no mercado.
De acordo com a Rystad, o desempenho do Brasil decorre da combinação entre escala operacional, custos competitivos e da entrada de novas unidades de produção no pré-sal. Além disso, a leitura da consultoria indica que a América Latina deixou de operar como um conjunto homogêneo. Passando, portanto, a depender de poucos países capazes de sustentar projetos de grande porte, o que consolida a liderança brasileira.
Produção de petróleo no Brasil e a expansão do pré-sal
A produção de petróleo no Brasil cresce com a aceleração e o início de operações de novas unidades flutuantes de produção, armazenamento e transferência (FPSO), que ampliam a capacidade instalada no offshore. Em 2025, a Petrobras colocou três plataformas em operação. Duas no campo de Búzios e uma no campo de Mero, ambos, inclusive, no pré-sal da Bacia de Santos.
Além disso, a norueguesa Equinor iniciou a produção no campo de Bacalhau, reforçando o papel do Brasil como destino prioritário de investimentos em águas profundas. Segundo a Rystad, esses projetos operam com preços de equilíbrio competitivos, o que sustenta sua viabilidade mesmo diante de oscilações no preço do petróleo.
América Latina, oferta fora da Opep+ e comparação entre países
No conjunto da América Latina, a produção total deve ultrapassar 8,8 milhões de barris por dia em 2026. A maior parte desse crescimento virá da produção de petróleo no Brasil, além da Argentina e da Guiana, que, juntas, devem adicionar mais de 700 mil barris diários e concentrar a expansão da oferta fora da Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep+).
Apesar dos números, a consultoria avalia que outros produtores da região enfrentam limitações operacionais e financeiras. Portanto, mesmo com a possibilidade de retorno de até 300 mil barris por dia da Venezuela no curto prazo, o cenário não altera a alocação de capital dos principais polos atuais. Tudo, inclusive, diante das incertezas regulatórias e das dificuldades de infraestrutura do país.
Produção de petróleo no Brasil no horizonte até 2030
A produção de petróleo no Brasil também se beneficia do perfil dos projetos offshore, caracterizados por longos prazos de execução e elevada previsibilidade operacional. A Rystad estima que esse conjunto de ativos deve manter desempenho superior ao da Venezuela ao menos até 2030, ao lado de Argentina e Guiana.
No caso argentino, o campo de Vaca Muerta, apesar de operar em shale e com ciclos mais curtos, avançou com investimentos em logística e escoamento. Ainda assim, o relatório aponta que a hierarquia regional está definida no médio prazo, com a produção de petróleo no Brasil ocupando a posição central na dinâmica energética latino-americana.





