Uma nova queda no valor do Bitcoin voltou a abalar o já desencorajado mercado nesta quinta-feira (5/02), quando a criptomoeda recuou para a faixa de US$ 69,8 mil, alcançando o menor patamar em 15 meses. O nível reforça a sequência de perdas iniciada após o pico registrado em outubro do ano passado e recoloca o ativo sob escrutínio em um ambiente global mais defensivo.
Desde aquele topo, o Bitcoin já acumula desvalorização superior a 44%. No recorte de 2026, inclusive, a perda se aproxima de 20%, em um contexto no qual investidores passaram a reduzir exposição a ativos de maior risco diante do ajuste simultâneo em bolsas e outros mercados.
Queda do Bitcoin e o efeito das liquidações
A queda do Bitcoin foi intensificada por um novo ciclo de liquidações. Dados de plataformas de análise indicam que cerca de US$ 722 milhões em posições compradas foram encerradas em apenas 24 horas. Ampliando, portanto, a pressão vendedora no curto prazo.
Segundo Wenny Cai, diretora de operações da SynFutures, o ajuste recente reflete menos narrativas e mais fatores técnicos ligados à gestão de risco e balanço. Para a executiva, o processo encerra um período de excesso de confiança, sem caracterizar uma retirada estrutural de investidores institucionais.
Recuo da criptomoeda e a conexão com outros ativos
Além disso, a queda do Bitcoin ocorre em paralelo a um ambiente mais hostil nos mercados tradicionais. Na quarta-feira, o Nasdaq 100 recuou mais de 2%, com perdas espalhadas por tecnologia, software e semicondutores. Além disso, bolsas asiáticas e europeias também operaram em baixa, reforçando a leitura de aversão ao risco.
Nesse cenário, Shiliang Tang, sócio-gerente da Monarq Asset Management, descreveu o atual cenário de queda do Bitcoin como uma “crise de fé”. Destaca, portanto, a dificuldade do mercado de cripto em sustentar posições após meses de desempenho negativo e correlação crescente com ações.
Queda do Bitcoin, ETFs e níveis monitorados
Os fundos de índice (Exchange Traded Funds, ou ETFs), lastreados em Bitcoin nos Estados Unidos passaram a refletir essa queda. Após entradas líquidas de aproximadamente US$ 562 milhões em um pregão, os ETFs registraram saídas superiores a US$ 800 milhões nas duas sessões seguintes, segundo dados compilados.
Andrew Tu, da Efficient Frontier, avalia que a manutenção dos preços abaixo da faixa de US$ 72 mil aumenta a probabilidade de novos testes em torno de US$ 68 mil. Já Alex Kuptsikevich, analista-chefe da FxPro, observa que o ativo voltou a uma zona que funcionou como resistência entre março e outubro de 2024. O que, portanto, explica a cautela atual dos investidores.
Leitura de curto prazo sobre a desvalorização do Bitcoin
No conjunto observado, a queda do Bitcoin reforça dúvidas sobre o papel do ativo em períodos de estresse financeiro. Com mais de US$ 460 bilhões eliminados do valor total do mercado cripto em uma semana, liquidez e disciplina tendem a guiar o comportamento dos preços no curto prazo.





